São Jerônimo

quarta-feira, 23 de maio de 2007

"Devil's Dictionary", de Ambrose Bierce

* * * Post modificado * * *

Experiência de tradução inglês-português encerrada.
Coordenadora: Ernesta.

Mais informações sobre o autor e a obra (em domínio público):
http://www.online-literature.com/bierce/devilsdictionary/
http://www.gutenberg.org/etext/972
http://www.thedevilsdictionary.com/

Acompanhe a discussão desta experiência no tópico da nossa comunidade:
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=50302&tid=2527390955783993828&na=4&nst=367&nid=50302-2527390955783993828-2533809827357526019

ORIGINAL



LEXICOGRAPHER, n. A pestilent fellow who, under the pretense of recording some particular stage in the development of a language, does what he can to arrest its growth, stiffen its flexibility and mechanize its methods. For your lexicographer, having written his dictionary, comes to be considered "as one having authority," whereas his function is only to make a record, not to give a law. The natural servility of the human understanding having invested him with judicial power, surrenders its right of reason and submits itself to a chronicle as if it were a statute. Let the dictionary (for example) mark a good word as "obsolete" or "obsolescent" and few men thereafter venture to use it, whatever their need of it and however desirable its restoration to favor -- whereby the process of impoverishment is accelerated and speech decays. On the contrary, recognizing the truth that language must grow by innovation if it grow at all, makes new words and uses the old in an unfamiliar sense, has no following and is tartly reminded that "it isn't in the dictionary" -- although down to the time of the first lexicographer (Heaven forgive him!) no author ever had used a word that was in the dictionary. In the golden prime and high noon of English speech; when from the lips of the great Elizabethans fell words that made their own meaning and carried it in their very sound; when a Shakespeare and a Bacon were possible, and the language now rapidly perishing at one end and slowly renewed at the other was in vigorous growth and hardy preservation -- sweeter than honey and stronger than a lion -- the lexicographer was a person unknown, the dictionary a creation which his Creator had not created him to create.

TRADUÇÕES



Lexicógrafo, s.m. Um sujeito pestilento, que sob a pretenção de registrar alguma fase específica do desenvolvimento de uma língua, faz o que pode para embargar o seu crescimento, enrijecendo sua flexibilidade e mecanizando seus métodos. Pois o seu lexicógrafo, tendo escrito seu dicionário, passa a ser considerado “uma autoridade”, quando na verdade sua função é apenas registrar, e não criar leis. A servidão natural do entendimento humano tendo lhe dado poder judicial, abre mão de seus direitos à razão e se submete a uma crônica como se fosse um estatuto. Basta o dicionário (por exemplo) marcar uma palavra boa como “obsoleta” ou “obsolecente” e daí em diante poucos indivíduos se arriscam a usa-la, não importa o quanto necessitem dela ou o quão desejavel seja a restauração do seu favoritismo – de forma que o processo de empobrecimento é acelerado e o discurso entra em decadência. Ao contrário, reconhecendo a verdade de que uma língua, se for mesmo crescer, deve faze-lo através da inovação, [quem] cria novas palavras e usa palavras antigas em sentidos inesperados, não angaria seguidores e é rudemente lembrado que “isso não está no dicionário” – apesar de até o surgimento do primeiro lexicógrafo (Que os céus o perdoem!) nenhum autor jamais havia usado uma palavra que estava no dicionário. Nos primórdios dourados e no ápice da língua Inglesa; quando dos lábios dos Elizabetanos trasnbordavam palavras que faziam seus próprio sentido e levavam consigo seu próprio som; quando um Shakespeare ou um Bacon eram possíveis, e a língua ora decaindo rapidamente de um lado e se renovando lentamente do outro estava em vigorosa evolução e forte preservação – mais doce do que o mel e mais poderosa que um leão – o lexicógrafo era uma pessoa desconhecida, o dicionário uma criação que o seu Criador não o havia criado para criar.

Agata



Dicionarista, S, 2 g. Um sujeito pestilento que, sob o pretexto de registrar um determinado estágio no desenvolvimento de uma linguagem, faz o que pode para aprisionar seu crescimento, endurecer sua flexibilidade e mecanizar seus métodos.
Pois o tal dicionarista, tendo escrito o dicionário dele, passa a ser considerado ‘uma autoridade’, enquanto sua função é somente fazer um registro, e não ditar uma lei.
A natural subserviência do entendimento humano, tendo concedido poder de lei ao dicionarista, entrega a ele o seu direito de razão e se submete a uma crônica como se esta fosse um estatuto.
Basta que o dicionário (por exemplo) rotule uma boa palavra como obsoleta ou arcaica para que, a partir daí, poucos homens se atrevam a usá-la, não importa o quanto precisem dela nem quão desejável seja sua manutenção - e assim o processo de empobrecimento se acelera e a língua entra em decadência.
Por outro lado, aquele que reconhece que a língua deve crescer pela originalidade, se de algum modo cresce, aquele que cria novas palavras e usa as antigas com um sentido inédito não tem seguidores e é rispidamente lembrado de que “isto não está no dicionário” - mesmo se no tempo do primeiro dicionarista (que Deus o perdoe!) nenhum autor jamais havia usado uma palavra que estava no dicionário.
No dourado apogeu da língua inglesa; quando dos lábios dos grandes elisabetanos saíam palavras que construíam seu próprio sentido e o carregavam na própria sonoridade; quando um Shakespeare e um Bacon eram possíveis, e a linguagem, agora rapidamente se congelando em uma ponta e lentamente se renovando na outra, estava em processo de vigoroso crescimento e duradoura conservação – mais doce que mel e mais forte que um leão – o dicionarista era uma pessoa desconhecida, e o dicionário uma criação que o Criador não o tinha criado para criar.

Irene



LEXICÓGRAFO, s. Indivíduo pernicioso que, com a desculpa de registrar um estágio específico do desenvolvimento de uma língua, faz o que pode para coibir seu crescimento, diminuir sua flexibilidade e mecanizar seus métodos. Para este lexicógrafo, escrever seu dicionário equivale a ser considerado como “aquele que tem autoridade”, enquanto que sua função é apenas fazer um registro, não criar uma lei. A servidão natural da compreensão humana, tendo-o investido com poder legal, abdica de seus direitos de razão e se submete a uma crônica como se ela fosse um estatuto. Permite que o dicionário (por exemplo) marque uma boa palavra como “obsoleta” ou “obsolescente” e poucos homens, depois disso, arriscam-se a usá-la, apesar de sua necessidade e do desejo de sua restauração à preferência – e assim o processo de empobrecimento se acelera e o discurso decai. Ao contrário, reconhecendo o fato de que a língua deve crescer pela inovação, se é que cresce, cria palavras novas e usa as antigas em um sentido pouco comum, não tem apoio e é sarcasticamente lembrado de que “não está no dicionário” – embora, à época do primeiro lexicógrafo (que Deus o perdoe!), nenhum autor houvesse usado uma palavra que /estivesse /no dicionário. Nos tempos áureos e no ponto máximo da língua inglesa, quando dos lábios dos grandes elizabetanos fluíam palavras que faziam seu próprio significado e o carregavam em seu próprio som, quando Shakespeare e Bacon eram possíveis; e a línga, agora, perecendo rapidamente de um lado e lentamente renovada de outro, estava em crescimento vigoroso e brava preservação – mais doce que o mel e mais forte que um leão – o lexicógrafo era uma pessoa desconhecida, o dicionário uma criação que seu Criador não o criou para criar.

Rosalia



LEXICÓGRAFO s.m. Camarada pestilento que, sob o pretexto de registrar um determinado estágio do desenvolvimento de um idioma, faz o que pode para frear o seu crescimento, enrijecer a sua flexibilidade e mecanizar os seus métodos. Pois o lexicógrafo, tendo escrito o seu dicionário, passa a ser considerado “alguém que tem autoridade”, embora a sua função seja apenas fazer um registro e não estabelecer uma lei. Tendo-o investido de poder judicioso, o servilismo natural do entendimento humano renuncia ao seu direito de razão e submete-se a um registro como se este fosse um estatuto. Basta um dicionário (por exemplo) marcar uma palavra boa como "obsoleta" ou "obsolescente" e poucos homens, daí em diante, aventurar-se-ão a usá-la, qualquer que seja a sua necessidade dela e por mais desejável que seja defender a sua restauração – e, dessa maneira, o processo de empobrecimento é acelerado e o discurso deteriora-se. Ao contrário, se, ao reconhecer a verdade de que o idioma precisa crescer por inovação para que tenha algum crescimento, alguém cria novas palavras e usa as antigas em sentido incomum, não encontra seguidores e é sarcasticamente lembrado de que “isso não está no dicionário” – ainda que, até a época do primeiro lexicógrafo (que os céus o perdoem!), nenhum autor jamais tivesse usado uma palavra que estivesse no dicionário. Nos tempos áureos e de apogeu da língua inglesa, quando dos lábios dos grandes elisabetanos caíam palavras que produziam o seu próprio sentido e o carregavam em seu próprio som, quando um Shakespeare e um Bacon eram possíveis e o idioma que perecia rapidamente de um lado e era lentamente renovado do outro estava em vigoroso crescimento e robusta preservação – mais doce que o mel e mais forte que um leão --, o lexicógrafo era uma pessoa desconhecida, o dicionário uma criação que o seu Criador não o criara para criar.

Concetta



LEXICÓGRAFO, s.m. Um sujeito pestilento que, sob o pretexto de registrar uma determinada etapa do desenvolvimento de um idioma, faz tudo que pode para impedir seu crescimento, enrijecer sua flexibilidade e mecanizar seus métodos. Após terminar seu dicionário, esse tal lexicógrafo chega a ser considerado "como alguém que possui autoridade", quando a função dele se limita a fazer um registro, não a estabelecer uma lei. Ao investi-lo do poder de julgar, a subserviência natural da inteligência humana renuncia a seu direito de raciocinar e se submete a uma crônica como se fosse um estatuto. Por exemplo, basta que o dicionário assinale uma boa palavra como "obsoleta" ou "obsolescente" e serão poucos os que, depois disso, se atreverão a usá-la, ainda que necessitem dela e por mais que seja desejável recuperar seu uso – com o que o processo de empobrecimento é acelerado e a língua decai. Pelo contrário; reconhecer a verdade que a língua só pode crescer através da inovação, formando novas palavras e usando as antigas com um novo sentido, não tem seguimento e é atalhado por um "não está no dicionário" – apesar de que, na época em que surgiu o primeiro lexicógrafo (que Deus o perdoe!), nenhum autor jamais usara uma só palavra que estivesse em dicionário. Nos áureos tempos e no ápice da língua inglesa, quando os lábios dos elisabetanos proferiam palavras que traziam em si o seu próprio sentido, portando-o até mesmo no som; quando um Shakespeare e um Bacon eram possíveis e a língua rapidamente perecia por um lado e lentamente se renovava por outro, em crescimento vigoroso e resoluta preservação – mais doce que o mel e mais forte que o leão – o lexicógrafo era pessoa desconhecida e o dicionário uma criação que o seu Criador não o tinha criado para criar.

Carmela



LEXICÓGRAFO, s.m. Um sujeito pernicioso que, sob o pretexto de registrar algum estágio particular do desenvolvimento de um idioma, faz o possível para deter o seu crescimento, imobilizar a sua flexibilidade e mecanizar os seus métodos. Para o seu lexicógrafo, ter escrito o seu dicionário o transforma em “alguém que detém a autoridade”, embora a sua função seja meramente registrar e não impor uma lei. O servilismo natural da compreensão humana, tendo outorgado a ele esse poder jurídico, cede o seu direito à razão e se submete ao registro como se ele fosse um estatuto. Deixe o dicionário (por exemplo) registrar um bom vocábulo como “obsoleto” ou “em vias de se tornar obsoleto” e raros indivíduos se aventurarão a utilizá-lo a partir desse momento por mais que precisem dele, e por mais que sejam a favor da restauração de seu uso – dessa forma, o processo de empobrecimento se acelera e o discurso se deteriora. Ao contrário, o reconhecimento da verdade que o idioma deva crescer pela inovação, se é que cresce mesmo, criando palavras novas e utilizando as antigas em um sentido não tão familiar não é seguido e chama-se a atenção secamente relembrando que “não está registrado no dicionário” – embora retornando ao tempo do primeiro lexicógrafo (Que Deus o perdoe!), nenhum autor jamais tenha utilizado a palavra que estivesse no dicionário. Na era de ouro e no auge do discurso inglês; quando dos lábios dos grandes contemporâneos da rainha Elizabeth I caíam palavras que carregavam seu próprio sentido e o conduziam ao seu exato som, quando um Shakespeare ou um Bacon eram plausíveis e a língua – que, por um lado, agora fenece tão rapidamente, e, de outro, renova-se tão lentamente - estava em crescimento vigoroso e em empedernida preservação – mais doce que o mel e mais forte que um leão – o lexicógrafo era uma pessoa desconhecida; o dicionário, uma criação cujo Criador não o tinha criado para criar.

Rosa



LEXICÓGRAFO, s.m. Sujeito pestilento que, sob o pretexto de registrar determinado estágio do desenvolvimento de uma língua, faz todo o possível para impedir o crescimento, enrijecer a flexibilidade e mecanizar os métodos desta. Tendo escrito o dicionário, nosso lexicógrafo passa a ser considerado como “alguém com autoridade”, ainda que sua função seja fazer um registro e não ditar uma lei. Uma vez que a compreensão humana, naturalmente subserviente, o investe de poder legal, ela abre mão de seu direito ao raciocínio e se submete a uma narrativa como se esta fosse um estatuto. Basta o dicionário rotular (por exemplo) uma palavra útil como “obsoleta” ou “obsolescente” e poucos serão aqueles que, a partir de então, ousarão utilizá-la, ainda que precisem dela e mesmo que sua restauração seja algo desejável. Dessa forma, o processo de empobrecimento se acelera e o discurso definha. Já a atitude contrária de reconhecer que na verdade a língua só poderá crescer através da inovação, criando novas palavras e empregando as antigas em sentidos não usuais, não produz adeptos e recebe a ríspida resposta de que “não está no dicionário” – ainda que, até que surgisse o primeiro lexicógrafo (que Deus o perdoe!), nenhum autor tinha usado uma palavra que estivesse no dicionário. Na era dourada da língua inglesa, quando os lábios dos grandes elisabetanos articulavam palavras capazes de criar seu próprio significado e carregar sua própria sonoridade, quando era possível a existência de um Shakespeare e um Bacon, e quando a língua que hoje perece rapidamente de um lado e é renovada lentamente do outro florescia e se conservava com vigor e garra – mais doce do que o mel e mais forte que um leão –, o lexicógrafo era um ser desconhecido e, o dicionário, uma criação que seu Criador ainda não havia dado a criação de criar.

Emma



LEXICÓGRAFO, s.m. Um sujeito pestilento que, sob o pretexto de registrar determinado estágio de desenvolvimento de um idioma, faz o possível para interromper seu progresso, endurecer sua flexibilidade e automatizar seus métodos. Pois o tal lexicógrafo, após escrever seu próprio dicionário, passa a ser considerado "uma autoridade", apesar de sua função ser meramente a de produzir um registro e não a de ditar leis. No entanto, o natural servilismo da compreensão humana, uma vez tendo-o investido de poder judicial, entrega a ele seu direito de raciocinar e se submete a uma crônica como se fosse um estatuto. Basta que o dicionário (por exemplo) classifique uma boa palavra como "obsoleta" ou "em desuso" e poucos se arriscarão a usá-la depois disso, a despeito de que precisem dela e do quão desejável seja seu retorno ao favor geral — motivo pelo qual o processo de empobrecimento se acelera e a língua se deteriora. Ao contrário, o reconhecimento de que a linguagem deva crescer através da inovação, se de algum modo, e que produz novas palavras e utiliza as antigas dando-lhes significados desconhecidos não conta com muitos seguidores e é acidamente lembrado de que "não está no dicionário" — embora, lá pela época do primeiro lexicógrafo (que Deus o perdoe!), escritor algum jamais tivesse usado uma palavra que "estivesse" no dicionário. Nos primeiros tempos dourados e no pináculo da glória da língua inglesa, quando dos lábios dos grandes elisabetanos manavam palavras que criavam seu próprio significado e o carregavam em seu próprio som, quando um Shakespeare e um Bacon eram permitidos e a linguagem, que hoje tão rapidamente se extingue num extremo e tão lentamente se renova no outro, encontrava-se em vigoroso crescimento e em forte preservação — mais doce que o mel e mais forte que o leão —, o lexicógrafo era um personagem desconhecido e o dicionário, uma criação para a qual seu Criador ainda não o havia criado para que criasse.

Caterina

3 comentários:

Anônimo disse...

Estou estarrecida!!!
Já na primeira linha de sua tradução vejo um erro crasso: pretenção?
Quanta pretenssão a sua de se autodenominar tradutor, sendo praticamente analfabeto!

Carolina Alfaro de Carvalho disse...

Monika,

Este é um exercício do qual muita gente participa livremente e de forma anônima. Muitos participantes não se autodenominam tradutores, pois não o são. Apenas decidiram experimentar traduzir. Há de tudo aqui: coisas muito boas e muito ruins. O objetivo é aprender, observar as soluções alheias e ficar sujeito a críticas, ainda que mantendo o anonimato. O que não há, sinceramente, são analfabetos. Cometer erros de grafia não qualifica ninguém como analfabeto.

Anônimo disse...

...E, Monika,
Quando você tiver a pretenSão de corrigir erros alheios, pelo menos o faça dignamente. Por favor, consulte o dicionário antes.