São Jerônimo

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Traduções de "Corto Viaggio Sentimentale" de Italo Svevo

Resultado da experiência proposta aqui.
Discussão sobre as traduções na nossa comunidade.


"Prima ch'io amassi Anna io amai un'altra donna..."

"Chi è Anna?" interruppe il signor Aghios.

"Anna è la nipote del padre di Berta. Quella che m'impedì di tenere gli occhi chiusi e di sposare Berta senz'accorgermi ch'io non sapevo amarla. Ma non sapevo amare Berta proprio per il suo carattere.Prima di Anna io amai un'altra, non so quando, proprio nella mia prima infanzia, ma so che anche quest'altra era debole, debole, dolce, dolce, bisognosa di protezione e più disposta al pianto che alla lotta."

"Insomma sottile, sottile" disse il signor Aghios che intendeva benissimo avendo avuto gli stessi gusti. Non s'accorgeva il signor Aghios di restare ostinatamente fermo nella sua prima idea e di correre perciò il pericolo di fermare il racconto del Bacis.

"Sottile, sottile! Si, anche sottile" disse il Bacis arrendendosi.

Il signor Aghios sospirò soddisfatto di aver indovinato.

Il giovanotto aveva visto spesso Anna accanto alla fidanzata, ma non se ne era subito innamorato. Era una bambina, una vera bambina a quattordici anni. Di adulta c'era in lei la grande soggezione ai ricchi parenti, un calcolo dunque da persona molto ragionevole. Ma a quindici anni anche tale soggezione divenne ancora più da adulta, cioè s'ammantò di un po' di tristezza e divenne dolorosa per certi lievi scoppii di ribellione subito repressi, ma non abbastanza prontamente per sfuggire ai parenti che perciò la odiavano. Era vestita più dimessamente di prima, ma ogni straccio sul suo corpicino diventava importante.

Il signor Aghios aveva già bevuto abbastanza per sentirsi capace di conservare tutta la libertà di cui aveva goduto quasi tutto il giorno anche di fronte ad un interlocutore tanto veemente.

Con l'esperienza di chi molto amò e desiderò, ma nello stesso tempo con la parola pacata del vecchio ch'è simile all'uomo oggettivo chiuso nel laboratorio con gli elementi che rubò alla vita, osservò:

"Questi stracci appiccicati alla donna amata diventano una sua estensione. È come porre su uma fiamma un pezzettino informe di metallo. Quando s'arroventa emana la stessa o anche una maggiore luce della fiamma stessa. C'è una differenza però. Tutti vedono la luce. Non tutti la bellezza di quegli stracci. Grande differenza! ".

Il Bacis tracannò un bicchiere di vino per poter restare col pensiero al proprio discorso. Ma com l'Aghios un bicchiere non bastava, perché era un uomo che in viaggio voleva vederci chiaro "Perciò io credo che quegli stracci siano piuttosto simili a certi colori la cui bellezza è sentita dai soli artisti o dagl'intenditori. Già! È evidente! Solo chi ama è un intenditore." E anche il signor Aghios bevette per premiarsi di tanta acutezza.

"Ma tutti dicevano che Anna coi mezzi più semplici era vestita splendidamente."

CURTA VIAGEM SENTIMENTAL

Antes de amar Anna, amei outra mulher...”

«Quem é Anna? » interrompe o senhor Aghios.

«Anna é a sobrinha do pai de Berta. Aquela que me impede de manter os olhos fechados e casar com Berta sem me dar conta de que não sabia amá-la. Mas não sabia amar Berta por sua própria personalidade. Antes de Anna amei outra, não sei quando, na minha primeira infância, mas sei que essa outra também era frágil, frágil, meiga, meiga, carente de proteção e mais inclinada ao pranto do que à luta.

«Em resumo: magra, magra,« disse o senhor Aghios que entendia muito bem, pois tinha os mesmos gostos. O senhor Aghios não percebia que se detinha teimosamente em sua primeira idéia e assim corria o risco de interromper a história do Bacis.

«Magra, magra! Sim, magra também« disse o Bacis, rendendo-se. O senhor Aghios suspirou, satisfeito de ter adivinhado.

O jovem havia visto Anna freqüentemente ao lado da noiva, mas não se enamorou imediatamente. Era uma menina, não passava de uma menina de catorze anos. Como adulta, havia nela uma grande obediência aos pais ricos, um cálculo, portanto, de uma pessoa bastante razoável. Mas, aos quinze anos, tal obediência se tornou ainda mais adulta, isto é, cobriu-se de certa tristeza e tornou-se dolorosa devido a alguns leves arroubos de rebeldia imediatamente suprimidos, mas não rápido o suficiente que escapassem aos pais, que, por isso, a odiavam. Estava vestida de maneira mais modesta do que antes, mas cada pedacinho de pano sobre seu corpinho se tornava importante.

O senhor Aghios já havia bebido o suficiente para se sentir capaz de conservar toda a liberdade de que havia gozado quase o dia inteiro, até diante um interlocutor tão veemente.

Com a experiência de quem muito amou e desejou, mas, ao mesmo tempo, com a palavra pacata do velho semelhante ao homem objetivo fechado no laboratório com os elementos que roubou à vida, observou:

«Esses trapos sobre a mulher amada tornam-se uma extensão dela. É como pôr sobre uma chama um pedacinho de metal disforme. Quando se abrasa, aquela mesma chama emana a mesma luz, ou uma luz ainda maior. Há, porém, uma diferença. Todos vêem a luz. Mas nem todos vêem a beleza daqueles trapos. Há uma grande diferença!”

O Bacis engoliu um copo de vinho para poder concentrar o pensamento no próprio discurso. Mas com o Aghios um só copo não bastava, porque era um homem que, em viagem, queria ver as coisas claramente.

«Porque creio que aqueles trapos são mais parecidos com certas cores cuja beleza é somente percebida por artistas ou entendidos.

Isso! É evidente! Só quem ama é um entendido”. E o senhor Aghios também bebeu para se premiar por tanta perspicácia.

«Mas todos diziam que Anna com os trajes mais simples estava esplendidamente vestida.”

Alcides



“Amei outra mulher antes de Anna...”

“Quem é Anna?”, interrompeu o senhor Aghios.

“Anna é a sobrinha do pai de Berta. Foi ela quem me impediu de manter os olhos fechados e de casar com Berta sem perceber que eu não sabia amá-la. Mas eu não sabia amar Berta exatamente por causa do seu temperamento. Antes de Anna eu amei outra, não sei quando, já na minha primeira infância, mas eu sei que essa também era frágil e suave, muito frágil e muito suave, carente de proteção e mais propensa ao pranto do que à luta.”

“Enfim, muito esguia”, disse o senhor Aghios que compreendia muito bem, já que tinha os mesmos gostos. O senhor Aghios não percebia que estava obstinadamente fixo na sua idéia inicial e que, portanto, corria o risco de interromper o relato de Bacis.

“Esguia, esguia! Sim, esguia também”, disse Bacis, rendendo-se. O senhor Aghios suspirou, satisfeito por ter adivinhado.

O jovem tinha visto Anna muitas vezes junto a sua namorada, mas não tinha se apaixonado logo. Era uma criança, uma autêntica criança de 14 anos. De adulta havia nela a grande submissão aos parentes ricos, e isso era uma avaliação de uma pessoa muito racional. Mas aos quinze anos também essa submissão se tornou ainda mais de adulta, isto é, se encobriu de um pouco de tristeza e se tornou dolorosa por causa de algumas leves explosões de revolta, logo reprimidas, mas não de modo tão rápido que pudesse escapar dos parentes que, por isso, a odiavam.

Estava vestida de modo mais humilde do que antes, mas qualquer trapo sobre o seu pequeno corpo se tornava importante.

O senhor Aghios já havia bebido bastante para sentir-se capaz de manter toda a liberdade da qual havia desfrutado quase o dia inteiro, mesmo diante de um interlocutor tão veemente.

Com a experiência de quem muito amou e desejou, mas ao mesmo tempo, com o falar sereno de um velho, que é parecido com o homem objetivo, fechado no laboratório com os elementos que roubou da vida, observou:

“Esses trapos aderidos à mulher amada se tornam uma extensão dela. É como pôr sobre uma chama um pedacinho disforme de metal. Quando ele se inflama, emana uma luz igual ou maior do que a própria chama.

Porém, há uma diferença: todos vêem a luz, mas nem todos vêem a beleza daqueles trapos. Grande diferença!”.

Bacis emborcou um copo de vinho para poder manter o pensamento no próprio raciocínio. Mas com Aghios um copo não bastava, porque era um homem que quando viajava queria entender tudo com clareza.

“Por isso, eu acredito que aqueles trapos sejam muito parecidos a certas cores cuja beleza é sentida só pelos artistas ou pelos entendidos. Sim! É evidente! Só quem ama é um entendido”. E o senhor

Aghios também bebeu para premiar-se por tanta perspicácia.

“Mas todos diziam que Anna se vestia de modo magnífico, mesmo com recursos simples.”

Ananias



– Antes de amar Anna eu amei outra mulher...

– Quem é Anna? – interrompeu o senhor Aghios.

– Anna é a sobrinha do pai de Berta. Foi ela quem me impediu de fechar os olhos e de casar com Berta sem que me ocorresse que eu não a sabia amar. Mas era justamente devido ao seu temperamento que eu não sabia amar Berta. Eu amei outra, antes de Anna. Nem sei quando, talvez até mesmo na minha primeira infância – mas sei que ela também era fraquinha fraquinha, meiga meiga, necessitada de proteção e com mais disposição para o choro que para a luta.

– Fina, fina, enfim – disse o senhor Aghios, que tinha tido as mesmas inclinações e, por isso, compreendia muito bem. Não percebia, o senhor Aghios, que dessa maneira ficava teimosamente fixado na sua primeira idéia e, portanto, corria o risco de interromper o relato de Bacis.

– Fina, fina! Sim: fina, também – disse Bacis, dando-se por vencido. O senhor Aghios suspirou, satisfeito por ter acertado.O jovem havia avistado freqüentemente Anna ao lado da noiva, mas não se apaixonara de imediato. Era uma criança, uma criança mesmo, com os seus quatorze anos. Havia traços adultos nela: na grande submissão aos ricos parentes – um cálculo, pois, de pessoa muito ponderada. Mas, aos quinze anos, essa submissão tornou-se mais adulta ainda, ou seja, ganhou um pouquinho de tristeza e se tornou dolorida por causa de certos leves rompantes de rebelião, logo reprimidos, mas não tão prontamente para passarem impercebidos aos parentes que, portanto, a odiavam. Trajava roupas mais modestas que antes, mas até mesmo um trapo surrado ficava-lhe bem naquele corpinho.

O senhor Aghios já havia bebido o suficiente para sentir-se capaz de conservar toda a liberdade de que havia gozado por quase todo o dia até mesmo diante de um interlocutor tão veemente.

Com a experiência de quem já amou e desejou muito, mas, ao mesmo tempo, com as palavras pacatas do velho – que se assemelha ao homem de ciência, trancado no laboratório com os elementos que roubou à vida, observou:

– Esses trapos colados na mulher amada tornam-se uma sua extensão. É como pôr um pedacinho informe de metal sobre uma chama. Quando abrasar, emitirá a mesma luz que a própria chama, ou até mais. Mas há uma diferença. Todos vêem a luz. Nem todos, a beleza daqueles trapos.

Notável diferença!

Bacis tragou um copo de vinho para conseguir permanecer preso ao que estava dizendo. Mas com Aghios um copo só não bastava, porque era um homem que, nas viagens, gostava de ver tudo com clareza.

– Por isso eu creio que aqueles trapos sejam antes parecidos àquelas cores cuja beleza só é sentida pelos artistas ou pelos entendedores. Isso! Claro! Só quem ama é um entendedor.

E, para premiar-se por tanta perspicácia, o senhor Aghios também tragou um copo.

– Mas todos diziam que Ana vestia esplendorosamente, mesmo com as roupas mais simples.

Antonio



“Antes de amar a Anna, amei outra mulher...”

“Quem é Anna?” interrompeu o Sr. Aghios.

“Anna é a sobrinha do pai da Berta. Aquela que me abriu os olhos, fazendo com que eu casasse com a Berta ciente de que não a amava. Antes da Ana, amei uma outra, não sei com certeza quando, só sei que foi na minha primeira infância. Mas sei que também esta outra era frágil. Muito frágil e doce, extremamente doce. Carente de proteção, e mais predisposta ao choro que à luta.”

“Em suma, sutil. Muito sutil...” - disse o Sr. Aghios, que entendia muito bem, pois tivera os mesmos gostos. Ele não se dava conta de persistir com a sua idéia inicial e assim correr o risco de interromper a história do Bacis.

“Sutil, muito sutil... Sim! Sutil, também”... disse Bacis rendendo-se. O Sr. Aghios suspirou, satisfeito, por ter adivinhado.O jovem havia visto Anna muitas vezes junto com a namorada, mas não se apaixonara logo de cara.

Era uma criança, uma criança de catorze anos. De adulto, havia nela uma intensa sujeição aos parentes ricos, uma avaliação de pessoa bem ponderada. Aos quinze anos, porém, essa sujeição ficou ainda mais adulta ou seja cobriu-se de tristeza, tornando-se dolorida devido a pequenos surtos de rebelião logo reprimidos, mas não tão prontamente a ponto de passar desapercebidas pelos parentes, que por esse motivo a odiavam.

Estava vestida ainda mais desleixada do que antes, mas qualquer trapo naquele corpinho tornava-se interessante.

O Sr. Aghios já tinha bebido o suficiente para se sentir seguro de continuar com toda a liberdade gozada junto a um interlocutor tão impetuoso.

Com a experiência de quem muito amou e desejou, mas ao mesmo tempo com aquele tom de voz pausado de velho, parecido com o homem racional fechado no laboratorio junto com os elementos que roubou à vida, ele observou: “Estes trapos grudados à mulher amada tornam-se uma extensão dela. É como quando se coloca sobre a chama um pedacinho de metal sem forma. Quando incandesce, emana a mesma luz do que a própria chama, talvez até mais intensa.

Entretanto, existe uma diferença. Todos enxergam a luz. Nem todos a beleza daqueles trapos. Grande diferença!”

Bacis engoliu um copo de vinho para conseguir permanecer concentrado no seu discurso. Mas para o Sr. Aghios um copo não bastava

- ele era o tipo de homem que, quando em viagem, quer enxergar tudo claro.

“Por isso mesmo eu acredito que aqueles trapos sejam de qualquer modo parecidos com certas cores, cuja beleza é percebida tão somente pelo artistas ou os entendidos. Claro! É evidente! Somente quem ama é um entendido.” E também o Sr. Aghios bebeu um trago para premiar-se por tanta astúcia.

“Mas todos diziam que Anna com os meios mais simples estava vestida esplendidamente.”

Armando



– Antes de amar Anna, amei outra mulher...

– Quem é Anna? – interrompeu o senhor Aghios.

– É a sobrinha do pai de Berta. Foi quem me impediu de ficar de olhos fechados e de me casar com Berta sem perceber que eu não sabia amá-la. Mas eu não sabia amá-la justamente por seu caráter. Amei outra antes de Anna, não sei exatamente quando, bem na primeira infância, mas sei que essa outra também era bem fraquinha, bem doce, carente de proteção e mais disposta ao pranto do que à luta.

– Enfim, bem delicada – disse o senhor Aghios, um ótimo entendedor, posto que teve os mesmos gostos. Ele não se dava conta de estar obstinadamente fixo em sua primeira idéia e, portanto, de correr o risco de paralisar a narrativa de Bacis.

– Bem delicada! É, delicada também – disse Bacis, se rendendo. O senhor Aghios suspirou, satisfeito por ter adivinhado.

O jovem havia visto Anna com freqüência ao lado da noiva, mas não se apaixonou de imediato. Era uma menina, uma verdadeira menina de quatorze anos. Havia de adulta nela uma grande submissão aos parentes ricos, um cálculo, portanto, de uma pessoa bem sensata. Mas, aos quinze anos, essa submissão também se tornou de uma pessoa ainda mais adulta, ou seja, se revestiu de um pouco de tristeza e se tornou dolorosa por causa de umas leves explosões de revolta imediatamente reprimidas, mas não rápido o bastante para escapar dos parentes que por isso a odiavam. Vestia-se mais maltrapilha do que antes, mas cada pedaço de pano se tornava importante no seu corpinho.

O senhor Aghios já havia bebido o suficiente para se sentir capaz de conservar toda a liberdade de que vinha gozando praticamente o dia inteiro, até mesmo diante de um interlocutor tão veemente.

Com a experiência de quem muito amou e desejou, mas ao mesmo tempo com a pacata palavra do velho que se parece ao homem objetivo trancado no laboratório com os elementos que roubou na vida, observou: – Grudados à mulher amada, esses panos se tornam uma extensão sua. É como colocar numa chama um pedacinho de metal sem forma. Quando se incandesce, emana a mesma luz que a chama propriamente dita, ou até maior. Há uma diferença porém. Todos vêem a luz. Nem todos a beleza dos panos. E que diferença!

Bacis virou um copo de vinho para conseguir continuar com o pensamento no seu próprio discurso. Mas com Aghios um copo não bastava, pois era um homem que queria conhecer bem durante a viagem.

– Por isso acredito que aqueles panos sejam bem parecidos com certas cores cuja beleza percebem somente os artistas ou entendedores. Isso! É óbvio! Só quem ama é um entendedor. – E o senhor Aghios também bebeu, para se premiar por tamanha perspicácia.

– Mas todos diziam que Anna, mesmo vivendo nas mais humildes condições, se vestia esplendidamente.

Arnaldo

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