[...]
P. Quantos anos você tem?
R. Faço dezenove em junho.
P. Certo. Eu diria que você tem trinta e cinco, ou trinta e seis. Onde você nasceu?
R. No Missouri.
P. Quando você começou a escrever?
R. Em 1836.
P. Mas como, se agora você tem apenas dezenove anos?
R. Eu não sei. É, de certa forma, meio curioso isso.
P. E é mesmo. Quem você considera a pessoa mais extraordinária que você já conheceu?
P. Aaron Burr.
P. Mas você não pode ter conhecido Aaron Burr se você tem só dezenove anos!
R. Olha, se você sabe mais sobre mim do que eu, para que me pergunta?
P. Bem, foi só um lembrete, mais nada. E como você veio a encontrar Burr?
R. Bem, um dia eu, por acaso, estava no funeral dele, e ele me pediu para fazer menos barulho, e --
P. Mas pelo amor de Deus! Se você estava no funeral dele, ele devia estar morto, e, se estava morto, como ele poderia se importar se você fazia barulho ou não?
R. Eu não sei. Ele sempre foi um homem de jeito próprio.
P. Mesmo assim, ainda não entendo. Você diz que ele falou com você e ele estava morto.
R. Eu não disse que ele estava morto.
P. Mas ele não estava?
R. Bem, alguns dizem que sim, outros dizem que não.
P. O que você acha?
R. Ah, isso não era da minha conta! O funeral não era meu.
P. Você-- Nós nunca vamos poder resolver essa questão. Deixe-me perguntar sobre outra coisa. Qual é a data de seu nascimento?
R. Segunda-feira, 31 de outubro de 1693.
P. O quê! Impossível! Isso lhe daria cento e oito anos. Como você pode provar isso?
R. Eu não preciso provar nada.
P. Mas você disse primeiro que tinha apenas dezenove anos, e agora você aparece com cento e oito. É uma discrepância enorme.
R. Hã, você notou? (Mãos tremendo.) Muitas vezes isso me pareceu uma discrepância, mas não conseguia me decidir. Como você nota as coisas rápido!
P. Obrigado pelo elogio, enquanto válido. Você tinha, ou tem, irmãos ou irmãs?
R. É! Eu… eu… eu acho que…. sim... mas eu não me lembro.
P. Nossa, é a resposta mais extraordinária que já ouvi!
R. Ora, o que faz você achar isso?
P. Como não poderia ser? Olhe, aqui! De quem é aquele quadro na parede? Não é um irmão seu?
R. Ah, sim, claro! Agora que você me lembrou… é sim um irmão meu. É o William-- nós o chamávamos Bill. Pobre Bill!
P. Por quê? Ele está morto?
R. Ah! Bem, eu acho que sim. Não dá para dizer. Existe um grande mistério.
P. É uma pena, uma pena mesmo. Então ele desapareceu?
R. Bem, sim, de uma certa forma. Nós o enterramos.
P. Enterraram! Você o enterrou, sem saber se ele estava morto ou não?
R. Ah, não! Isso não. Ele estava morto, sim.
P. Bem, eu confesso que não entendo. Se você o enterrou, e sabia que ele estava morto--
R. Não! Não! Nós só pensávamos que ele estava.
P. Ah, entendi! Ele voltou à vida, então?
R. Lógico que não.
P. Bem, eu nunca ouvi nada desse tipo. Uma pessoa morreu. Uma pessoa foi enterrada. E onde está o mistério disso?
R. Ah! É isso! Exatamente isso! Veja, nós éramos gêmeos... o defunto... e eu... e nós caímos na banheira quando tínhamos apenas duas semanas, e um de nós se afogou. Mas nós não sabemos quem. Alguns acham que foi o Bill. Outros acham que fui eu.
[...]
Tradução: Letícia
[...]
P. Quantos anos o senhor tem?
R. Dezenove, em Junho.
P. Não é possível. Eu daria ao senhor trinta e cinco ou trinta e seis. Onde o senhor nasceu?
R. No Missouri.
P. Quando o senhor começou a escrever?
R. Em 1836.
P. Ora, como poderia ser, se o senhor tem só dezenove anos?
R. Não sei. De alguma forma, parece realmente curioso.
P. Sem dúvida, parece. Quem o senhor considera o homem mais extraordinário que já conheceu?
R. Aaron Burr.
P. Mas o senhor nunca poderia ter conhecido Aaron Burr, se tem apenas dezenove anos!
R. Se o senhor sabe mais sobre mim do que eu, por que me pergunta?
P. Bem, foi só um comentário, nada mais. Como o senhor conheceu Burr?
R. Bem, aconteceu que eu estava no funeral dele um dia, e ele me pediu para fazer menos barulho, e…
P.Mas, por Deus! Se o senhor estava em seu funeral ele devia estar morto, e se ele estava morto como podia se importar se o senhor fazia barulho ou não?
R. Não sei. Ele sempre foi um tipo especial de homem.
P. Eu ainda não entendo totalmente. O senhor diz que ele falou com o senhor, e que ele estava morto.
R. Eu não disse que ele estava morto.
P. Mas ele não estava morto?
R. Bem, alguns diziam que ele estava, alguns diziam que ele não estava.
P. O que o senhor achou?
R. Oh, não era da minha conta. O funeral não era o meu.
P. O senhor… De qualquer modo, nós nunca vamos esclarecer esta questão. Deixe-me perguntar sobre outra coisa. Qual foi a data de seu nascimento?
R. Segunda-feira, 31 de outubro de 1693.
P. Como? Impossível! Isso faria com que o senhor tivesse cento e oitenta anos. Como o senhor explica isso?
R. Absolutamente, não explico.
P. Mas o senhor disse primeiro que tinha só dezenove, e agora o senhor se diz com mais de cento e oitenta. É uma discrepância impressionante.
R. Ora, o senhor notou isso? (parabenizando com um aperto de mãos) Mais de uma vez, pareceu-me uma discrepância, mas de alguma maneira eu não pude entender. Como o senhor percebe as coisas rapidamente!
P. Obrigado pelo cumprimento, se é que foi um cumprimento ….. O senhor teve, ou o senhor tem, irmãos ou irmãs?
R. Er….eu…eu…eu acho que sim…mas não me lembro.
P. Bem, esta é a afirmação mais extraordinária que eu já ouvi!
R. Ora, o que faz o senhor pensar assim?
P. Como poderia eu pensar de outra maneira? Ora, vejamos. De quem é este retrato na parede? Não é de um irmão do senhor?
R. Oh, sim, sim, sim! Agora o senhor me faz lembrar; era um irmão meu. Aquele é William...Nós o chamávamos de Bill. Pobre velho Bill!
P. Por que? Então ele está morto?
R. Ah! Bem, eu acho que sim. Nós nunca pudemos dizer. Houve um grande mistério a respeito.
P. Isso é triste, muito triste. Ele desapareceu, então?
R. Bem, sim, de um modo geral. Nós o enterramos.
P. Enterraram-no! Enterraram-no sem saber se ele estava morto ou não?
R. Oh, não, isso não. Ele estava morto o bastante.
P. Bem, confesso que não consigo entender isto. Se os senhores o enterraram, e sabiam que ele estava morto...
R. Não! Não! Nós só pensamos que ele estava.
P. Oh, entendo! Ele ressuscitou?
R. Aposto que não.
P. Bem, eu nunca ouvi nada parecido. Alguém estava morto. Alguém foi enterrado. Então, onde estava o mistério?
R. Ah! É isso mesmo! Exatamente isso. Veja bem, nós éramos gêmeos... o defunto e eu...e nós nos misturamos na banheira quando tínhamos só duas semanas, e um de nós se afogou. Mas nós nunca soubemos qual. Alguns pensam que foi o Bill. Alguns pensam que fui eu.
[...]
Tradução: Beatriz
[...]
P. Qual a sua idade?
R. Faço dezenove em junho,
P. Mesmo? Achei que tinha trinta e cinco ou trinta e seis. Onde você nasceu?
R. No Missouri.
P. Quando começou a escrever?
R. Em 1836.
P. Mas como assim, se você tem apenas dezenove anos?
R. Não sei. Parece mesmo interessante, não?
P. Sem dúvida. Quem você considera a pessoa mais marcante que já conheceu?
R. Aaron Burr.
P. Mas você não pode ter conhecido Aaron Burr, se tem apenas dezenove anos!
R. Oras, mas se você sabe mais de mim do que eu mesmo, por que me pergunta?
P. Bem, foi só uma idéia, nada mais. Como conheceu Burr?
R. Bem, calhou de eu estar em seu funeral um dia, e ele me pediu para fazer menos barulho, e…
P. Mas, por Deus!Se você estava em seu funeral, ele devia estar morto, e se ele estava morto, como poderia se importar se você fazia barulho ou não?
R. Não sei. Ele sempre foi um tipo peculiar de homem, daquele jeito.
P. Mesmo assim, ainda não entendo tudo. Você disse que ele falou com você, e que ele estava morto.
R. Eu não disse que ele estava morto.
P. Mas não estava morto?
R. Bem, uns dizem que estava, outros dizem que não.
P. O que você achava?
R. Ah, não era da minha conta! Não era o meu funeral.
P. Você – mas é possível que nunca resolvamos esse assunto. Deixe-me perguntar alguma outra coisR. Quando você nasceu?
R. Foi numa segunda-feira, 31 de outubro de 1693.
P. O quê? Impossível! Isso daria cento e oitenta anos! Como você calcula isso?
R. Eu não calculo.
P. Mas primeiro você disse que tinha apenas dezenove anos, e agora diz que nasceu cento e oitenta anos atrás. É uma discrepância enorme!
R. Mesmo, você notou? (Apertam-se as mãos.) Por muito tempo me pareceu uma discrepância, mas de algum modo, eu não conseguia decidir. Como você percebe as coisas rápido!
P. Obrigado pelo elogio, se é mesmo um. Você teve, ou tem, irmãos?
R. Ah! E-e-eu acho que sim – tive – mas não lembro.
P. Bem, essa é a frase mais extraordinária que eu já ouvi!
R. Por que, o que te faz pensar isso?
P. Como eu poderia pensar de outro modo? Vá, olhe aqui! De quem é esse retrato na parede? Não é de um dos seus irmãos?
R. Poor old Bill! Ah, sim, sim, sim! Agora você me fez recordar, era um de meus irmãos. É o William – mas o chamávamos Bill. Pobre Bill!
P. Por quê? Ele está morto, então?
R. Bom, creio que sim. Não se poderia dizer. Havia um grande mistério a esse respeito.
P. Isso é triste, muito triste. Ele desapareceu, então?
R. Bem, sim, de um certo modo. Nós o enterramos.
P. Enterraram! Enterraram-no, sem saber se estava vivo ou morto?
R. Não, assim não! Ele estava bem morto.
P. Bem, confesso que não entendo. Se vocês o enterraram, e sabiam que ele estava morto…
R. Não! Não! Apenas pensamos que ele estava.
P. Ah, entendi! Ele voltou à vida?
R. Aposto que não.
P. Bem, nunca ouvi nada parecido com isso. Alguém estava morto. Alguém foi enterrado. Então, onde está o mistério?
R. Ah! É isso! Exatamente isso! Veja, éramos gêmeos – o defunto – e eu – e fomos trocados na banheira quando tínhamos apenas duas semanas, e um de nós se afogou. Mas ninguém sabia qual. Alguns pensaram que era o Bill. Outros pensaram que era eu.
[...]
Tradução: Henrique
[...]
P. Quantos anos você tem?
R. Faço dezenove em junho.
P. É mesmo? Eu lhe teria dado trinta e cinco ou seis. Onde você nasceu?
R. Missouri.
P. Quando você começou a escrever?
R. Em 1836.
P. Mas como, se você só tem dezenove agora?
R. Não sei. De certa forma, parece estranho mesmo.
P. Parece mesmo. Quem você considera o homem mais extraordinário que já conheceu?
R. Aaron Burr.
P. Mas você não pode ter conhecido Aaron Burr, se tem só dezenove anos!
R. Olhe, se você sabe mais de mim do que eu, por que me pergunta?
P. Bem, foi só uma sugestão; nada mais. E como é que você conheceu Burr?
R. Um dia aconteceu de eu estar no enterro dele, e ele me pediu para fazer menos barulho, e—
P. Mas, santo Deus! Se você foi ao enterro dele, é porque ele estava morto, e, se estava morto, que diferença lhe faria se você fazia barulho ou não?
R. Não sei. Ele sempre foi um homem de detalhes.
P. Ainda assim, não estou entendendo nada. Você diz que ele falou com você, e que estava morto.
R. Eu não disse que ele estava morto.
P. Mas ele não estava morto?
R. Bem, houve quem dissesse que ele estava, e houve quem dissesse que não.
P. E você, o que achou?
R. Ah, não era da minha conta! Não era o meu enterro.
P. Mas você-- não se consegue esclarecer este assunto. Deixe-me perguntar outra coisa. Qual a data do seu nascimento?
R. Segunda-feira, 31 de outubro de 1693.
P. O quê?! É impossível! Você teria cento e oitenta anos de idade. Como é que você explica isso?
R. Eu não explico coisa nenhuma.
P. Mas no início você disse que tinha só dezenove anos, e agora diz que tem cento e oitenta. É uma enorme discrepância.
R. Mas você percebeu isso? (Mãos trêmulas). Muitas vezes me pareceu uma discrepância, mas nunca consegui resolver isso. Como você percebe rápido as coisas!
P. Obrigado pelo elogio, mesmo assim. Você teve, ou tem, irmãos ou irmãs?
R. Ahn, eu— eu— acho que sim — mas não me lembro.
P. Essa é a afirmação mais incrível que já ouvi!
R. Mas o que o faz pensar assim?
P. Como eu poderia pensar de outro modo? Veja bem! Esse retrato na parede é de quem? Não é de um irmão seu?
R. Ah, sim, sim, sim! Agora você me lembrou: era um irmão meu. É William— que chamávamos de Bill. Pobre Bill!
P. Por quê? Ele morreu?
R. Ah! Acho que sim. Nunca soubemos com certeza. Havia um grande mistério sobre o assunto.
P. Isso é triste, muito triste. Ele desapareceu, então?
R. Bem, sim, de um modo geral. Nós o enterramos.
P. Nós o enterramos. Enterraram-no, sem saber se ele estava morto?
R. Oh, não! Isso não. Ele estava bem morto.
P. Bem, confesso que não entendi. Se vocês o enterraram, e sabiam que estava morto—
R. Não! Não! Apenas pensamos que ele estivesse.
P. Oh, entendi! Ele voltou à vida?
R. Tenho certeza de que não.
Q. Ai, nunca ouvi nada parecido. Alguém estava morto. Alguém foi enterrado. Agora, onde está o mistério?
R. Ah! é isso mesmo! É exatamente isso! Sabe, éramos gêmeos -- o defunto --e eu-- e nos misturaram na banheira quando tínhamos apenas duas semanas, e um de nós se afogou. Mas não sabíamos qual. Alguns acham que foi o Bill. Alguns acham que fui eu.
[...]
Tradução: Rafaela
[...]
P. –Quantos anos o senhor tem?
R. –Vou fazer dezenove, em junho.
P. –Verdade? Eu diria que o senhor tem trinta e cinco ou trinta e seis. Onde o senhor nasceu?
R. –Em Missouri.
P. –Quando o senhor começou a escrever?
R. –Em 1836.
P. –Mas como, se o senhor só tem dezenove anos agora?
R. –Não sei. Mas não deixa de ter seu lado curioso.
P. –Certamente, tem. Qual a pessoa mais extraordinária que o senhor conheceu?
R. –Aaron Burr.
P. –Mas, como é que o senhor pode ter conhecido Aaron Burr, se está só com dezenove anos?
R. –Bom, se você sabe mais que eu, porque está me fazendo perguntas?
P. –Bom, foi só uma sugestão, nada mais. Como foi que o senhor conhecer Aaron Burr?
R. –Bom, um dia eu fui ao funeral dele e ele me pediu para fazer menos barulho, e -
P. –Meu Deus do Céu! Se era o funeral dele, ele tinha que estar morto e, se estava morto, por que ele ia se importar com o barulho que o senhor estivesse fazendo?
R. –Não sei. Ele sempre foi um sujeito meio esquisito, assim.
P. –Mesmo assim, continuo não entendendo. O senhor disse que ele falou com o senhor e ele estava morto.
R. –Não disse que ele estava morto.
P. –Mas, ele não estava morto?
R. –Bom, tem gente que diz que estava, tem gente que diz que não estava.
P. –O que o senhor acha?
R. –Ah, não era da minha conta! Não era o meu funeral nem nada.
P. –O senhor - deixa para lá, não vou conseguir esclarecer essa história. Mudando de assunto: Em que dia o senhor nasceu?
R. –Segunda-feira, 31 de outubro de 1693
P. –O que? Impossível! Se tivesse nascido nesse dia, o senhor ia estar com cento e oitenta anos; Como o senhor explica isso?
R. –Eu não explico nada.
P. –Mas o senhor primeiro disse que tinha só dezenove anos e agora diz que tem cento e oitenta. É uma enorme diferença.
R. –É? Você notou? (Agitando as mãos) Muitas vezes também me pareceu uma diferença, mas, por alguma razão, nunca consegui me decidir. Como você é rápido para perceber as coisas!
P. –Obrigado pelo cumprimento, se é que isso é um cumprimento. O senhor tem ou teve irmãos ou irmãs?
R. –Uhm! A-a-acho que sim – mas não me lembro.
P. –Olha, nunca ouvi alguém dizer isso na vida!
R. –Ué, por quê?
P. –Como é que eu não ia estranhar? Ih, olhe aqui! Quem é aquele, no retrato, na parede? Não é seu irmão?
R. –Ah, é sim, é sim! Agora que você falou, eu me lembrei: era meu irmão. Era o William - a gente chamava ele de Bill. Coitado do Bill!
P. –Por quê? Ele morreu?
R. –Ah! Bom, acho que sim. Nunca tivemos certeza. Foi uma coisa muito misteriosa.
P. –Que coisa triste! Muito triste! Ele desapareceu?
R. –Bom, sim, de certo modo, sim. A gente enterrou.
P. –Enterraram! Enterraram, sem saber se estava morto?
R. –Ah, não! Não foi isso. Ele estava bem mortinho.
P. –Confesso que não consigo entender essa história. Vocês enterraram e sabiam que ele estava morto…
R. –Não! Não! A gente só achava que ele estava morto.
P. –Ah, entendi! Ele voltou à vida?
R. –Garanto que não.
P. –Olha, eu nunca ouvi uma coisa dessas. Alguém morreu. Alguém foi enterrado. Então, qual é o mistério?
R. –Ah, mas é justamente isso. Exatamente. Sabe, nós éramos gêmeos - o defunto e eu – mas misturaram a gente na banheira quando a gente tinha dois anos e um de nós morreu afogado. Mas ninguém sabe qual dos dois foi. Tem quem ache que foi o Bill. Tem quem diga que fui eu.
[...]
Tradução: Júlia
Encontro com um entrevistador
peça de Mark Twain (trecho)
[...]
P - Qual é a sua idade?
R – Vou fazer dezenove em junho.
P – Sério? Imaginei que o senhor tivesse trinta e cinco ou trinta e seis. Onde o senhor nasceu?
R – No Missouri.
P - E quando começou a escrever?
R - Em 1836.
P - Ora, mas como pode ser isso, se o senhor tem apenas dezenove anos?
R - Não sei. Isso realmente parece curioso.
P - Parece mesmo. Quem o senhor considera o homem mais notável que conheceu?
R - Aaron Burr.
P - Mas o senhor não pode ter conhecido Aaron Burr, se tem só dezenove anos!
R - Ora, se o senhor sabe mais sobre mim do que eu mesmo, por que me perguntou?
P - Bem, foi apenas uma sugestão, nada mais. Como aconteceu de o senhor conhecer Burr?
R - Bem, eu estava certo dia em seu funeral, por acaso; ele me pediu para falar mais baixo, e...
P - Mas pelos céus! Se o senhor estava no funeral dele, ele devia estar morto, e se estava morto como poderia se importar do senhor estar ou não falando alto?
R - Não sei. Ele era um tipo de homem muito peculiar, com relação a isso.
P - Mesmo assim eu não entendi nada. O senhor me disse que ele falou com o senhor, e que ele estava morto.
R - Eu não disse que ele estava morto.
P - Então ele não estava morto?
R - Bem, alguns diziam que sim, outros que não.
P - E o senhor, o que achava?
R - Bem, aquilo não era da minha conta. Não era nem mesmo o meu funeral.
P - Mas o senhor... Bem de qualquer modo, jamais conseguiremos saber ao certo. Deixe-me perguntar-lhe outra coisa. Qual foi a data do seu nascimento?
R - Segunda feira, 31 de outubro de 1693.
P - Como?! Impossível! Isso faria com que o senhor tivesse cento e oitenta anos. Como explica isso?
R - Eu não explico, em absoluto.
P - Mas o senhor primeiro disse que tinha apenas dezenove anos, e agora se diz com cento e oitenta. Há uma terrível discrepância aqui.
R - Ora, então você percebeu? (cumprimentam-se). Muitas vezes isso também me pareceu uma discrepância, mas jamais consegui me decidir a respeito. Você percebe as coisas muito depressa!
P - Obrigado pelo elogio, no que me diz respeito. O senhor teve ou tem irmãos ou irmãs?
R - Ahn... Eu... Eu... Eu acho que.. sim, mas não me lembro.
P - Ora, mas essa é a afirmação mais extraordinária que eu já ouvi!
R - É mesmo? O que o faz pensar assim?
P - Como poderia pensar de outro modo. Olhe, veja aquilo! Quem é aquela pessoa no quadro da parede? Aquele não é um irmão seu?
R - Ah, sim, sim, sim! Agora você me fez lembrar dele. Aquele era um irmão meu. William. Nós o chamávamos de Bill. Pobre Bill!
P - Como? Ele morreu, então?
R - Ahn... Bem, suponho que sim. Jamais conseguimos ter certeza. Havia um grande mistério a respeito disso.
P - Isso é triste, muito triste. Ele desapareceu, então?
R - Bem... Sim, de certo modo. Nós o enterramos.
P - Vocês o enterraram? Enterraram-no sem saber se ele estava morto ou não?
R - Ah, não, não foi assim. Ele estava morto o suficiente.
P - Pois eu confesso que não consigo entender isso. Se vocês o enterraram, e sabiam que ele estava morto...
R - Não, não! Apenas pensamos que estivesse.
P - Ah, entendo! Ele voltou à vida, então?
R - Aposto que não.
P - Puxa, eu nunca ouvi nada desse tipo. Alguém estava morto. Alguém foi enterrado. Então, onde estava o mistério?
R - Pois está exatamente aí. Exatamente aí. Veja só, nós éramos gêmeos, o falecido e eu; nos embolamos na banheira quando tínhamos dois anos, e um de nós se afogou. Mas não sabíamos qual. Tem gente que acha que foi Bill. Outros acham que fui eu.
[...]
Tradução: Gabriel
"Encontro com um entrevistador", peça curta de Mark Twain
[...]
Q. Quantos anos você tem?
A. Faço dezenove em junho.
Q. É mesmo? Eu lhe daria uns trinta e cinco ou trinta e seis. Onde você nasceu?
A. Em Missouri.
Q. Quando começou a escrever?
A. Em 1836.
Q. Ora, como pode ser isso, se você só tem dezenove anos?
A. Não sei. Parece estranho mesmo.
Q. Sem dúvida parece. Quem você considera o homem mais notável que já conheceu?
A. Aaron Burr.
Q. Mas você não pode ter conhecido Aaron Burr, se tem apenas dezenove anos!
A. Bom, se você sabe mais sobre mim do que eu mesmo, por que está perguntando?
Q. Ah, foi apenas uma idéia, só isso. Como você veio a conhecer Burr?
A. Bom, por acaso eu estava em seu funeral certo dia, e ele me pediu para fazer menos barulho, e--
Q. Mas, pelos céus! Se você estava em seu funeral, ele devia estar morto e, se estava morto, como poderia se incomodar se você estava fazendo barulho ou não?
A. Não sei. Ele sempre foi um homem meio esquisito.
Q. Mesmo assim, eu não estou entendendo nada. Você diz que ele falou com você, e que ele estava morto.
A. Eu não disse que ele estava morto.
Q. Mas ele não estava morto?
A. Bom, alguns diziam que estava, alguns diziam que não.
Q. O que você acha?
A. Ah, isso não era da minha conta! Não era o meu funeral.
Q. Mas você—Bem, não importa, nunca iremos esclarecer essa questão. Vou perguntar sobre outra coisa. Que dia você nasceu?
A. Segunda feira, 31 de outubro de 1693.
Q. O quê? Impossível! Assim você teria cento e oitenta anos de idade. Como explica isso?
A. Eu não explico.
Q. Mas primeiro você disse que tinha apenas dezenove anos e, agora, apresenta-se com cento e oitenta. É uma enorme discrepância.
A. Você reparou nisso? (Apertando-lhe as mãos.) Muitas vezes pareceu-me uma discrepância, mas eu não conseguia ter certeza. Como você nota as coisas depressa!
Q. Agradeço o elogio, se é que foi isso. Você teve, ou tem, irmãos ou irmãs?
A. Ahnn… Eu… eu… acho que sim, é... mas não lembro.
Q. Ora, essa é a declaração mais extraordinária que já ouvi!
A. Mas por que você acha isso?
Q. O que mais eu poderia achar? Olhe aqui! De quem é esta fotografia na parede? Não é de um irmão seu?
A. Ah, sim, sim, sim! Agora eu me lembro; esse era meu irmão. É William—nós o chamávamos de Bill. Pobrezinho do Bill!
Q. Por quê? Quer dizer que ele está morto?
A. Ah! Bom, acho que sim. Nunca soubemos ao certo. Foi um grande mistério.
Q. Isso é triste, muito triste. Então ele desapareceu?
A. Bom, de maneira geral, pode-se dizer que sim. Nós o enterramos.
Q. Enterraram! Enterraram sem saber se ele estava morto ou não?
A. Claro que não! Não foi isso. Ele estava bem morto.
Q. Bom, eu confesso que não entendo. Se vocês o enterraram, e sabiam que ele estava morto--
A. Não! não! Nós só achávamos que ele estava.
Q. Ah, entendo! Ele voltou a viver?
A. Isso eu garanto que não.
Q. Bem, eu nunca ouvi nada parecido com isso. Alguém estava morto. Alguém foi enterrado. Então, qual foi o mistério?
A. Ah! Mas é isso mesmo! Exatamente isso. Veja, nós éramos gêmeos—o defunto... e eu —e fomos misturados na banheira quando tínhamos apenas duas semanas de vida, e um de nós se afogou. Mas não sabíamos qual. Alguns acham que foi o Bill. Outros acham que fui eu.
[...]
Tradução: Luís
[...]
P. Qual é a sua idade?
R. Dezenove, em junho.
P. Interessante. Imaginei que o senhor teria trinta e cinco ou trinta e seis. Onde nasceu?
R. No Missouri.
P. Quando começou a escrever?
R. Em 1836.
P. Mas como isso é possível, se tem só dezenove anos?
R. Não sei. É um fato um tanto quanto curioso.
P. É sim. Quem o senhor considera ser o homem mais marcante que já conheceu?
R. Aaron Burr.
P. Mas, se tem só dezenove anos de idade, não pode ter conhecido Aaron Burr!
R. Ora, se me conhece mais do que eu mesmo, por que pergunta?
P. Foi apenas uma idéia, nada além disso. Como conheceu o Sr. Burr?
R. Bom, certo dia, quando eu estava em seu funeral, ele me pediu para não fazer tanto barulho e...
P. Valha-me Deus! Se estava em seu funeral, ele devia estar morto, e se estava morto por que se importaria se o senhor fazia barulho ou não?
R. Não sei. Nesse aspecto, ele sempre foi um homem bem peculiar.
P. Ainda assim, não compreendo. Disse que ele falou com o senhor e que ele estava morto.
R. Eu não disse que ele estava morto.
P. Ele não estava morto?
R. Bem, alguns diziam que sim, outros diziam que não.
P. E qual a sua opinião?
R. Aquilo não me dizia respeito. Sequer era o meu funeral.
P. Mas o senhor... Enfim, nunca vamos esclarecer isso. Deixe-me perguntar alguma outra coisa. Qual é a data do seu nascimento?
R. Segunda-feira, 31 de outubro de 1693.
P. O quê? Impossível! O senhor teria cento e oitenta anos de idade. Como explica isso?
R. Eu não explico coisa alguma.
P. Mas primeiro disse que tem apenas dezenove anos e agora somaria cento e oitenta. É uma discrepância absurda.
R. Nossa, você notou? (Apertando-lhe a mão.) Mais de uma vez isso me pareceu uma discrepância, mas por algum motivo eu não conseguia me decidir. Como você repara rápido nas coisas!
P. Obrigado pelo elogio, de qualquer forma. O senhor tem ou teve algum irmão ou irmã?
R. Ah! Eu... Eu... Creio que... sim, mas não me lembro.
P. Puxa, essa é a declaração mais extraordinária que já ouvi!
R. Por quê? O que o faz pensar isso?
P. E como pensaria diferente? Veja só aqui! De quem é este retrato na parede? Não é de um irmão seu?
R. Ah, sim, sim! Você me fez lembrar, aquele era meu irmão. Esse é o William... o chamávamos de Bill. Pobre Bill!
P. Por quê? Ele faleceu?
R. Ah! É, suponho que sim. Foi impossível saber ao certo. Aquilo foi um grande mistério.
P. Isso é triste, muito triste. Então ele desapareceu?
R. Bem, sim, assim, de modo geral. Nós o enterramos.
P. O enterraram! Enterraram-no sem saber se ele estava morto ou não?
R. Claro que não! Não é isso. Ele estava bem mortinho.
P. Bom, eu confesso que não entendo nada. Se ele foi enterrado e sabiam que estava morto...
R. Não! Não! Só pensávamos que estivesse.
P. Muito bem, então. Ele voltou à vida?
R. Aposto que não.
P. Nunca ouvi nada parecido. Alguém morreu. Alguém foi enterrado. Pois bem, onde está o mistério?
R. Ah! Aí é que está! Aí está a questão. Veja bem: éramos gêmeos, o defunto e eu. Estávamos juntos na banheira quando tínhamos só duas semanas de vida, e um de nós se afogou. Mas era impossível saber quem. Alguns acham que era Bill. Alguns acham que era eu.
[...]
Tradução: Sofia
[...]
P. Qual a sua idade?
R. Vou fazer dezenove em junho.
P. É mesmo? Eu achava que o senhor tivesse uns trinta e cinco, trinta e seis anos. Onde o senhor nasceu?
R. No Missouri..
P. Quando o senhor começou a escrever?
R. Em 1836.
P. Mas como é possível, se hoje o senhor só tem 19 anos?
R. Sei lá. Parece mesmo meio esquisito.
P. Com certezR. Na sua opinião, quem é o homem mais interessante que o senhor já encontrou?
R. Aaron Burr.
P. Mas o senhor nunca poderia ter se encontrado com Aaron Burr, se só tem 19 anos!
R. Olha aqui, se você sabe mais sobre a minha pessoa do que eu mesmo, por que está me perguntando?
P. Bom, foi só uma idéia, mais nadR. Como foi que o senhor se encontrou com Burr?
R. Bom, acontece que certo dia eu estava no funeral dele, e ele me pediu para fazer menos barulho, daí--
P. Pelo amor de Deus! Se o senhor estava no funeral dele, ele devia estar morto, e se ele estava morto, porque iria se incomodar se o senhor estava fazendo barulho ou não?
R. Ah, não sei. Ele era meio sistemático com essas coisas.
P. Mesmo assim,não estou entendendo nadR. O senhor diz que ele falou com o senhor, e que ele estava morto.
R. Eu não disse que ele estava morto.
P. Mas ele não estava morto?
R. Bom, uns dizem que sim, outros que não.
P. E o senhor, o que acha?
R. Ah, não era da minha conta! Não era o meu funeral mesmo...
P. O senhor-- Esqueça, nunca vamos ficar sabendo mesmo. Vamos mudar de assunto. Qual é a data do seu nascimento?
R. Segunda-feira, 31 de outubro de 1693.
P. O quê!? Impossível! Se fosse assim, o senhor teria 180 anos. Como o senhor explica isso?
R. Eu não sei explicar.
P. Mas primeiro o senhor falou que só tinha dezenove anos, e agora alega que tem 180! É uma tremenda discrepância!
R. Nossa, você percebeu? (Apertando a mão do outro). Várias vezes percebi que havia uma discrepância, mas por alguma razão não consegui me decidir entre uma coisa e outrR. Como você entende rápido!
P. Obrigado pelo elogio, se é que foi essa a intenção. O senhor tem, ou já teve, irmãos ou irmãs?
R. Err.. Eu--Eu--Eu diria que sim - sim - mas não me lembro.
P. Bom, essa é a frase mais extraordinária que eu já ouvi na vida!
R. Ué, por que você diz isso?
P. Como eu poderia não dizer? Olhe aqui: quem é que aparece nesse quadro aqui na parede? Não é um dos seus irmãos?
R. Ah sim, sim, sim! Agora você me lembrou do caso; esse era um dos meus irmãos. Esse é o William - nós o chamávamos de Bill. Coitado do Bill!
P. Por quê? Ele morreu, então?
R. Bom, acho que sim. Nunca soubemos. Há um grande mistério em torno disso.
P. Isso é triste, muito triste. Então ele desapareceu?
R. Bom, sim, pode-se dizer, de certa maneirR. Nós o enterramos.
P. Enterraram? Enterraram-no sem saber se estava morto ou não?
R. Ah, não! Não é isso. Ele estava mortinho da silvR.
P. Bom, devo confessar que não estou entendendo nadR. Se vocês o enterraram, e o senhor sabia que ele estava morto--
R. Não, não! Nós pensávamos que ele estivesse.
P. Entendo! Ele ressuscitou?
R. Claro que não!
P. Bom,nunca ouvi nada parecido. Alguém estava morto. Alguém foi enterrado. Então, qual é o mistério?
R. Ah! Mas é bem esse! Exatamente esse. Veja bem, nós éramos gêmeos - o defunto e eu - e fomos confundidos na hora do banho quando tínhamos apenas duas semanas de idade; um de nós dois morreu afogado. Uns acham que foi o Bil, outros acham que fui eu.
[...]
Tradução: Alexandre
[...]
Q: Quantos anos você tem?
A: Em junho completarei dezenove.
Q: Certamente, eu diria que você tem 35 ou 36 anos. Onde você nasceu?
A: No estado de Missouri.
Q: Quando você começou a escrever?
A: Em 1836.
Q: Como isso é possível se você tem apenas 19 anos?
A: Não sei, mas de alguma maneira parece ser estranho.
Q: Certamente, parece. Quem você considera o homem mais extraordinário, que já conheceu?
A: Aaron Burr.
Q: Mas você jamais poderia ter se encontrado com Aaron Burr, já que você tem apenas 19 anos de idade!
A: Se você sabe mais sobre mim, do que eu mesmo, por que perguntar, então?
Q: Bem, foi apenas uma insinuação, só isso. Como foi que você conheceu o Burr?
A: Acontece que um dia estive no funeral dele, e ele me pediu para fazer menos barulho, então....
Q: Por Deus, se você esteve no funeral, ele devia estar morto e se não estava morto, como é que ele poderia se preocupar com o barulho?
A: Não sei. Ele sempre foi daquela maneira, um homem muito especial.
Q: Ainda não consegui entender nada. Você disse que ele conversou com você e ele estava morto.
A: Eu não disse que ele estava morto.
Q: Então ele não estava morto?
A: Bem, alguns disseram que sim e alguns disseram que não.
Q: O que você achou?
A: Ah, não era da minha conta! Não era o meu funeral.
Q: Você....de qualquer modo nunca conseguiremos esclarecer este assunto. Deixe-me perguntar uma outra coisa. Quando você nasceu?
A: 31 de outubro de 1693, uma segunda-feira.
Q: O quê? Impossível! Então você estaria com 180 anos. Como conseguiu chegar neste resultado?
A: Não faço estas contas, de maneira alguma.
Q: Primeiro você disse que tinha apenas 19 anos e agora você dá a entender que tem 180 anos. É uma diferença terrível.
A: Por quê? Você percebeu aquilo? (Apertando as mãos em cumprimento) Muitas vezes pensei que havia diferença, mas de alguma forma, não conseguia compreender a diferença. Como você nota as coisas rapidamente!
Q: Do jeito que andam as coisas, agradeço o elogio. Você tem alguns irmãos ou irmãs?
A: Hmm, e...e...eu acredito que im...sim...mas não lembro.
Q: Bem, esta é a declaração mais estranha que eu já obtive.
A: Por quê? O que o faria pensar assim?
Q: Como eu não poderia! Por quê? Olhe aqui! De quem é este quadro na parede? Não é um de seus irmãos?
A: Ah, sim, sim, sim! Agora você me lembrou; este era um de meus irmãos. Este é o William. Nós o chamávamos de Bill. Pobre velho Bill.
Q: Por quê? Então, ele está morto?
A: Ãhn, bem, acredito que sim. Nunca descobrimos. Havia uma grande mistério em relação ao fato.
Q: Isto é muito, muito triste. Então, ele desapareceu?
A: Bem, de certo modo, sim. Nós o enterramos.
Q: O enterraram! O enterraram sem sequer saber se ele estava morto, ou não?
A: Ah, não! Ele já estava suficientemente morto.
Q: Bem, confesso que não consigo compreender. Se você o enterrou e sabia que estava morto...
A: Não, não! Apenas pensávamos que estava morto.
Q: Ah, entendo. Então ele voltou à vida?
A: Aposto que não.
Q: Bem, nunca ouvi nada parecido! Alguém morreu. Este alguém foi enterrado. E onde está o mistério?
A: Então! É isso aí, exatamente. Entenda que nós fomos gêmeos...extintos...e eu...e nós fomos misturados na banheira, quando tínhamos apenas duas semanas de vida. Um de nós se afogou, mas não sabíamos qual. Alguns pensam que foi o Bill, outros pensam que fui eu.
[...]
Tradução: Amanda
[...]
Encontro com um entrevistador.
Trecho da peça de Mark Twain
[...]
P. Quantos anos você tem?
R. Dezenove, em junho.
P. De fato. Eu lhe daria trinta e cinco ou seis. Onde você nasceu?
R. No Missouri.
P. Quando começou a escrever?
R. Em 1836.
P. Ora, como isso é possível se você só tem dezenove anos?
R. Não sei. É mesmo curioso, de certo modo.
P. É, de fato. Quem você considera o homem mais notável que já conheceu?
R. Aaron Burr.
P. Mas você não poderia ter conhecido Aaron Burr tendo apenas dezenove anos!
R. Ora, se você sabe mais sobre mim do que eu mesmo, para que me pergunta?
P. Bom, foi só uma sugestão. Nada mais. Como se deu seu encontro com Burr?
R. Bom, acontece que eu estava em seu funeral um dia e ele me pediu para não fazer tanto barulho e...
P. Mas, meu Deus! Se você estava em seu funeral ele deveria estar morto e, estando morto, como poderia ele se importar se você fazia barulho ou não?
R. Eu não sei. Ele sempre foi um tipo peculiar nesse quesito.
P. Mesmo assim, não entendo em absoluto. Você diz que ele lhe falou e que ele estava morto.
R. Eu não disse que ele estava morto.
P. Mas, não estava?
R. Bom, alguns diziam que estava, outros diziam que não.
P. O que você achava?
R. Ah, não era da minha conta! Não era nem meu funeral.
P. Você fez... Todavia, não vamos nunca pôr esse assunto a limpo. Deixe-me lhe perguntar outra coisa. Qual a data de seu nascimento?
R. Segunda-feira, 31 de outubro de 1693.
P. Como?! Impossível! Se assim fosse você teria cento e oitenta anos. Como você dá conta disso?
R. Não dou conta em absoluto.
P. Mas você disse inicialmente que tinha apenas dezenove, e agora se apresenta com cento e oitenta. É uma desagradável incoerência.
R. Ora veja, você notou? (Apertando as mãos). Por muitas vezes me pareceu ser uma incoerência, mas de certa forma eu não conseguia me decidir. Como você é rápido em perceber as coisas!
P. Obrigado, vou tomar isso como um elogio. Você teve ou tem irmãos ou irmãs?
R. Ah! Eu… eu… eu acho… sim... mas eu não me lembro.
P. Bem, essa é a afirmação mais extraordinária que eu já ouvi!
R. Ora, o que lhe faz pensar assim?
P. O que mais eu poderia pensar? Olhe, veja isso! De quem é essa fotografia na parede? Não é de um irmão seu?
R. Ah, sim, sim, sim! Agora você me lembrou; esse era um irmão meu. Esse é o William... Bill, nós o chamávamos. Pobre Bill!
P. Por que? Então ele está morto?
R. Ah! Bem, suponho que sim. Nunca conseguimos saber. Havia um grande mistério acerca desse assunto.
P. Isso é triste, muito triste. Então ele desapareceu?
R. Bom, sim, de um modo geral. Nós o enterramos.
P. Enterraram-no! Enterraram-no sem saber se estava morto ou não?
R. Ah não! Isso não. Ele estava bem morto.
P. Bom, confesso que não entendo. Se o enterraram e sabiam que estava morto
R. Não! Não! Apenas achávamos que estava.
P. Ah, entendo! Ele voltou à vida?
R. Aposto que não.
P. Bom, eu nunca ouvi nada parecido. Alguém estava morto. Alguém foi enterrado. Agora, cadê o mistério?
R. Ah! Mas é isso mesmo! É exatamente isso! Veja, nós éramos gêmeos... o defunto... e eu... e nós fomos confundidos na banheira quando tínhamos apenas duas semanas de vida, e um de nós se afogou. Mas não sabíamos qual. Alguns acham que foi o Bill. Alguns acham que fui eu.
[...]
Tradução: Felipe
[...]
Q. Quantos anos você tem?
A. Dezenove em Junho.
Q. Realmente. Eu teria dado a você uns trinta e cinco ou seis. Onde você nasceu?
A. Em Missouri.
Q. Quando você começou a escrever?
A. Em 1836.
Q. Por que, como poderia ser isso, se você só tem dezenove agora?
A. Eu não sei. Isso realmente parece curioso, de certo modo.
Q. Parece, realmente. Quem você considera que seja o homem mais extraordinário que você já encontrou?
A. Aaron Burr.
Q. Mas você nunca poderia ter encontrado com Aaron Burr, se você tem apenas dezenove anos!
A. Agora, se você sabe mais a meu respeito do que eu mesmo, o que você me pergunta?
Q. Bem, foi apenas uma sugestão; nada mais. Como foi que você encontrou Burr?
A. Bem, eu estive no seu funeral um dia, e ele me pediu para fazer menos barulho, e...
Q. Mas, santo Deus! Se você estava no funeral dele, ele devia estar morto, e se ele estava morto como poderia se importar se você fazia barulho ou não?
A. Eu não sei. Ele sempre foi uma espécie de homem que tinha um modo peculiar de ser.
Q. Mas, eu não entendo absolutamente.Você diz que ele falou com você, e que ele estava morto.
A. Eu não disse que ele estava morto.
Q. Mas ele não estava morto?
A. Bem, alguns diziam que ele estava, alguns diziam que não.
Q. O que você achava?
A. Oh, não era problema meu! Não era meu funeral.
Q. Você…De qualquer forma, nós nunca vamos podemos chegar a uma conclusão exata sobre isso. Deixe-me perguntar sobre algo mais. Qual foi a data do seu nascimento?
A. Segunda, 31 de Outubro de 1693.
Q. O que? Impossível! Isso lhe faria ter cento e oitenta anos de idade. Como você explica isso?
A. Eu não tenho explicação alguma para isso.
Q. Mas você disse primeiro que você tinha somente dezenove anos, e agora se auto descreve como uma pessoa de cento e oitenta anos. É uma terrível discrepância.
A. Por que, você percebeu isso? (Chacoalhando as mãos). Várias vezes pareceu para mim como uma discrepância, mas de qualquer maneira eu não pude me decidir a respeito. Como você percebeu rápido!
Q. Obrigada pelo cumprimento, até onde isso for um cumprimento. Você teve, ou tem algum irmão ou irmã?
A. Eh! Eu..eu..eu acho que sim..sim..mas eu não lembro.
Q. Bem, este é o mais extraordinário relato que eu já tinha escutado!
A. Por que, o que faz você pensar assim?
Q. Como eu poderia pensar de outra maneira? Porque, olhe aqui! De quem é o quadro na parede? Aquele ali não é o seu irmão?
A. Oh, sim, sim, sim! Agora você me está me fazendo lembrar; aquele era meu irmão. Aquele é William..Bill nós o chamávamos. Pobre, velho Bill!
Q. Por que? Ele está morto, então?
A. Ah! Bem, Eu acho que sim. Nós nunca poderíamos dizer. Houve um grande mistério sobre isso.
Q. Isso é triste, muito triste. Ele desapareceu, então?
A. Bem, sim, de uma maneira geral. Nós o enterramos.
Q. Enterraram ele! Enterraram ele, sem saber se ele estava morto ou não?
A. Oh, não! Não dessa forma. Ele estava morto o suficiente.
Q. Bem, eu confesso que eu não posso compreender isso. Se vocês o enterraram, e vocês achavam que ele estava morto.
A. Oh, não! Nós somente pensávamos que ele estava.
Q. Oh, eu entendo! Ele voltou a viver novamente?
A. Eu aposto que não..
Q. Bem, eu nunca ouvi nada como isso. Alguém estava morto. Alguém foi enterrado. Agora, onde estava o mistério?
A. Ah! Aí está! É exatamente isso aí. Você vê, nós éramos gêmeos...defunto...e eu....e nós fomos misturados na banheira quando nós tínhamos somente duas semanas de idade, e um de nós se afogou. Mas nós não sabemos qual dos dois. Alguns pensam que foi o Bill. Alguns pensam que fui eu.
[...]
Tradução: Eduardo
[...]
Q. Quantos anos você tem?
A. Faço 19 anos em Junho.
Q. Sério! Eu te dava uns 35 ou 36 anos. Onde você nasceu?
A.Em Missouri.
Q.Quando você começou a escrever?
A.Em 1836.
Q.Mas como isso pode ser possivel se você só tem dezenove anos?
A. Não sei. De alguma maneira isso parece estranho.
Q. Com certeza é. Quem você considera o homem mais incrível que você já conheceu?
A. Aaron Burr.
Q. Mas você nunca poderia ter conhecido Aaron But, se você tem somente dezenove anos!
A. Oras, se você sabe mais sobre mim do que eu mesmo, o que mais você quer saber?
Q. Bem, foi apenas uma sugestão, nada de mais. Como foi que você conheceu Burr?
A. Eu estava em seu funeral e ele me pediu para fazer menos barulho, e -
Q. Mas, pelo amor de Deus! Se você estava no funeral dele, ele certamente deveria estar morto, e se ele estava morto, como pode ele ter se importado com o barulho?
A. Sei lá. Ele sempre foi um tipo fora do comum.
Q.Ainda assim, eu não estou entendendo nada. Você disse que falou com ele, e que ele estava morto.
A. Eu não disse que ele estava morto.
Q. Mas então ele não estava morto?
A. Alguns disseram que ele estava, já outros que não.
Q. E o que você achou?
Oras, que não era da minha conta. Aquele não era o meu funeral.
Q. Você...tanto faz, de qualquer forma nós nunca iremos entender isso direito. Deixe eu te perguntar sobre outras coisas. Qual é a data de seu nascimento?
A. Domingo, dia 31 de outubro de 1963.
Q. Como assim! Impossível! Nesse caso você teria cento e oitenta anos de idade. Como você explica isso?
A. Eu não explico nada.
Q. Mas logo no começo você disse que tinha somente dezenove anos e agora você deu a entender que tem cento e oitenta. Isso está totalmente fora de lógica.
A. Porque você reparou nisso? (com as mãos tremulas). Muitas vezes isso me pareceu muito estranho, mas de alguma maneira eu não poderia inventar isso. Como você percebe rapidamente as coisas!
Q. De qualquer forma, agradeço o elogio. Você tinha, ou tem irmãos ou irmãs?
A. Ah! Eu… eu…eu acho que sim, mas não me lembro.
Q. Nossa, ísso é coisa mais extraordinária que eu já ouvi!
A. Porque você acha isso?
Q. Como eu poderia pensar de outra maneira? Ei, olhe aqui! Quem é essa no quadro que está na parede? Não é o seu irmão?
A. Oh, sim, sim, sim! Agora você me lembrou; aquele é meu irmão. É o William – Nós o chamavamos de Bill. Coitado do velho Bill!!
Q. Por que? Então ele está morto?
A. Ah! Bem, eu suponho que sim. Nós nunca poderiamos dizer. Há um grande mistério sobre isso.
Q. Que triste, muito triste. Então ele desapareceu?
A. Bem, sim, de certa forma. Nós o enterramos.
Q. Enterraram ele! Enterraram ele sem saber, se quer, se ele estava morto ou vivo?
A. Não! Assim não. Ele estava bastante morto.
Q. Bem, eu confesso que não estou entendendo isso. Se vocês enterraram ele e vocês sabiam que ele estava morto...
A. Não! Não! Nós apenas achavamos que ele estava.
Q. Ah, entendo! Ele então voltou a viver?
A. Aposto que não.
Q. Eu nunca ouvi nada parecido com isso. Alguém estava morto. Alguém foi enterrado. Onde está o mistério agora?
Ah! Então é isso. Exatamente isso. Veja, nós eramos gêmeos – mortos – e eu ... e nós fomos misturados na banheira quando tinhamos somente duas semanas de vida, e um de nós foi afogado, mas nós não sabemos quem. Alguns acham que foi Bill enquanto outros acham que foi eu.
[...]
Tradução: Laura
An Encounter With An Interviewer
A play by Mark Twain
[...]
Q. Qual a sua idade?
A. Farei dezenove em junho.
Q. Certo. Eu diria que o senhor teria trinta e cinco, ou trinta e seis. Onde o senhor nasceu?
A. No Missouri.
Q. Quando começou a escrever?
A. Em 1836.
Q. Nossa, como isso é possível, se o senhor tem apenas dezenove anos agora?
A. Eu não sei. É algo muito curioso mesmo.
Q. É mesmo, sem dúvida. Quem o senhor diria que foi o homem mais notável que já conheceu?
A. Aaron Burr.
Q. Mas não poderia ter conhecido Aaron Burr, se tem apenas dezenove anos!
A. Bem, se sabe mais do que eu, por que me pergunta?
Q. Bem, foi apenas uma sugestão, nada mais. Como conheceu Burr?
A. Fui ao funeral dele um dia, e ele me pediu que fizesse menos barulho, e...
Q. Mas, por Deus! Se o senhor esteve no funeral dele, ele devia estar morto, e se estava morto, por que haveria de se importar se o senhor fazia barulho ou não?
A. Eu não sei. Ele sempre foi um homem bastante peculiar nesse aspecto.
Q. Ainda assim, não entendi nada. O senhor disse que ele falou consigo, e que ele estava morto.
A. Não disse que ele estava morto.
Q. Mas ele não estava morto?
A. Bem, alguns diziam que estava, outros diziam que não.
Q. O que o senhor achava?
A. Ah, não era da minha conta! Aquele não era o meu funeral.
Q. O senhor... Bem, está claro que não vamos chegar a lugar nenhum. Vou mudar de assunto. Qual a data de seu nascimento?
A. Segunda-feira, 31 de outubro de 1693.
Q. O quê! Impossível! O senhor teria cento e oitenta anos de idade. Como o senhor explica isso?
A. Eu não explico nada.
;Q. Mas o senhor disse que tinha apenas dezenove anos, e agora o senhor me diz que teria cento e oitenta anos. É uma discrepância terrível.
A. Ora, você percebeu isso? (Apertando as mãos.) Muitas vezes isso me pareceu uma discrepância, mas eu não conseguia me decidir. Que rapidez a sua!
Q. Obrigado pelo elogio, seja lá como for. O senhor tem, ou teve, irmãos ou irmãs?
A. Ah! Eu... eu... eu acho que sim... sim... mas não me lembro.
Q. Bem, essa é a resposta mais extraordinária que já ouvi!
A. Por que acha isso?
Q. Como não poderia achar? Oras, olhe aqui! De quem é este quadro na parede? Não é um de seus irmãos?
A. Ah, sim, sim, sim! Agora que você me recorda; ele era meu irmão. É o William... nós o chamávamos de Bill. Pobrezinho do Bill!
Q. Por que? Ele morreu?
A. Ah! Bem, acho que sim. Nunca se soube. Foi um grande mistério.
Q. Isso é triste, muito triste. Ele desapareceu, então?
A. Bem, sim, falando de uma forma geral. Nós o enterramos.
Q. Enterraram-no! Enterraram-no, sem saber se ele estava morto ou não?
A. Ah, não! Nada disso. Ele estava bem morto.
Q. Bem, eu confesso que não consigo entender. Se o senhor o enterrou, e sabia que ele estava morto...
A. Não! não! Nós só pensávamos que ele estava.
Q. Ah, entendo! Ele voltou à vida, então?
A. Aposto que não.
Q. Bem, nunca ouvi nada igual a isso. Alguém está morto. Alguém foi enterrado. Agora, onde está o mistério?
A. Ah! É isso mesmo! É isso mesmo. Sabe, nós éramos gêmeos... o defunto... e eu... e nós fomos misturados na banheira quando tínhamos apenas duas semanas, e um de nós se afogou. Mas não sabíamos qual dos dois. Alguns acham que foi o Bill. Outros pensam que fui eu.
[...]
Tradução: Lucas