São Jerônimo

quarta-feira, 23 de maio de 2007

"Devil's Dictionary", de Ambrose Bierce

* * * Post modificado * * *

Experiência de tradução inglês-português encerrada.
Coordenadora: Ernesta.

Mais informações sobre o autor e a obra (em domínio público):
http://www.online-literature.com/bierce/devilsdictionary/
http://www.gutenberg.org/etext/972
http://www.thedevilsdictionary.com/

Acompanhe a discussão desta experiência no tópico da nossa comunidade:
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=50302&tid=2527390955783993828&na=4&nst=367&nid=50302-2527390955783993828-2533809827357526019

ORIGINAL



LEXICOGRAPHER, n. A pestilent fellow who, under the pretense of recording some particular stage in the development of a language, does what he can to arrest its growth, stiffen its flexibility and mechanize its methods. For your lexicographer, having written his dictionary, comes to be considered "as one having authority," whereas his function is only to make a record, not to give a law. The natural servility of the human understanding having invested him with judicial power, surrenders its right of reason and submits itself to a chronicle as if it were a statute. Let the dictionary (for example) mark a good word as "obsolete" or "obsolescent" and few men thereafter venture to use it, whatever their need of it and however desirable its restoration to favor -- whereby the process of impoverishment is accelerated and speech decays. On the contrary, recognizing the truth that language must grow by innovation if it grow at all, makes new words and uses the old in an unfamiliar sense, has no following and is tartly reminded that "it isn't in the dictionary" -- although down to the time of the first lexicographer (Heaven forgive him!) no author ever had used a word that was in the dictionary. In the golden prime and high noon of English speech; when from the lips of the great Elizabethans fell words that made their own meaning and carried it in their very sound; when a Shakespeare and a Bacon were possible, and the language now rapidly perishing at one end and slowly renewed at the other was in vigorous growth and hardy preservation -- sweeter than honey and stronger than a lion -- the lexicographer was a person unknown, the dictionary a creation which his Creator had not created him to create.

TRADUÇÕES



Lexicógrafo, s.m. Um sujeito pestilento, que sob a pretenção de registrar alguma fase específica do desenvolvimento de uma língua, faz o que pode para embargar o seu crescimento, enrijecendo sua flexibilidade e mecanizando seus métodos. Pois o seu lexicógrafo, tendo escrito seu dicionário, passa a ser considerado “uma autoridade”, quando na verdade sua função é apenas registrar, e não criar leis. A servidão natural do entendimento humano tendo lhe dado poder judicial, abre mão de seus direitos à razão e se submete a uma crônica como se fosse um estatuto. Basta o dicionário (por exemplo) marcar uma palavra boa como “obsoleta” ou “obsolecente” e daí em diante poucos indivíduos se arriscam a usa-la, não importa o quanto necessitem dela ou o quão desejavel seja a restauração do seu favoritismo – de forma que o processo de empobrecimento é acelerado e o discurso entra em decadência. Ao contrário, reconhecendo a verdade de que uma língua, se for mesmo crescer, deve faze-lo através da inovação, [quem] cria novas palavras e usa palavras antigas em sentidos inesperados, não angaria seguidores e é rudemente lembrado que “isso não está no dicionário” – apesar de até o surgimento do primeiro lexicógrafo (Que os céus o perdoem!) nenhum autor jamais havia usado uma palavra que estava no dicionário. Nos primórdios dourados e no ápice da língua Inglesa; quando dos lábios dos Elizabetanos trasnbordavam palavras que faziam seus próprio sentido e levavam consigo seu próprio som; quando um Shakespeare ou um Bacon eram possíveis, e a língua ora decaindo rapidamente de um lado e se renovando lentamente do outro estava em vigorosa evolução e forte preservação – mais doce do que o mel e mais poderosa que um leão – o lexicógrafo era uma pessoa desconhecida, o dicionário uma criação que o seu Criador não o havia criado para criar.

Agata



Dicionarista, S, 2 g. Um sujeito pestilento que, sob o pretexto de registrar um determinado estágio no desenvolvimento de uma linguagem, faz o que pode para aprisionar seu crescimento, endurecer sua flexibilidade e mecanizar seus métodos.
Pois o tal dicionarista, tendo escrito o dicionário dele, passa a ser considerado ‘uma autoridade’, enquanto sua função é somente fazer um registro, e não ditar uma lei.
A natural subserviência do entendimento humano, tendo concedido poder de lei ao dicionarista, entrega a ele o seu direito de razão e se submete a uma crônica como se esta fosse um estatuto.
Basta que o dicionário (por exemplo) rotule uma boa palavra como obsoleta ou arcaica para que, a partir daí, poucos homens se atrevam a usá-la, não importa o quanto precisem dela nem quão desejável seja sua manutenção - e assim o processo de empobrecimento se acelera e a língua entra em decadência.
Por outro lado, aquele que reconhece que a língua deve crescer pela originalidade, se de algum modo cresce, aquele que cria novas palavras e usa as antigas com um sentido inédito não tem seguidores e é rispidamente lembrado de que “isto não está no dicionário” - mesmo se no tempo do primeiro dicionarista (que Deus o perdoe!) nenhum autor jamais havia usado uma palavra que estava no dicionário.
No dourado apogeu da língua inglesa; quando dos lábios dos grandes elisabetanos saíam palavras que construíam seu próprio sentido e o carregavam na própria sonoridade; quando um Shakespeare e um Bacon eram possíveis, e a linguagem, agora rapidamente se congelando em uma ponta e lentamente se renovando na outra, estava em processo de vigoroso crescimento e duradoura conservação – mais doce que mel e mais forte que um leão – o dicionarista era uma pessoa desconhecida, e o dicionário uma criação que o Criador não o tinha criado para criar.

Irene



LEXICÓGRAFO, s. Indivíduo pernicioso que, com a desculpa de registrar um estágio específico do desenvolvimento de uma língua, faz o que pode para coibir seu crescimento, diminuir sua flexibilidade e mecanizar seus métodos. Para este lexicógrafo, escrever seu dicionário equivale a ser considerado como “aquele que tem autoridade”, enquanto que sua função é apenas fazer um registro, não criar uma lei. A servidão natural da compreensão humana, tendo-o investido com poder legal, abdica de seus direitos de razão e se submete a uma crônica como se ela fosse um estatuto. Permite que o dicionário (por exemplo) marque uma boa palavra como “obsoleta” ou “obsolescente” e poucos homens, depois disso, arriscam-se a usá-la, apesar de sua necessidade e do desejo de sua restauração à preferência – e assim o processo de empobrecimento se acelera e o discurso decai. Ao contrário, reconhecendo o fato de que a língua deve crescer pela inovação, se é que cresce, cria palavras novas e usa as antigas em um sentido pouco comum, não tem apoio e é sarcasticamente lembrado de que “não está no dicionário” – embora, à época do primeiro lexicógrafo (que Deus o perdoe!), nenhum autor houvesse usado uma palavra que /estivesse /no dicionário. Nos tempos áureos e no ponto máximo da língua inglesa, quando dos lábios dos grandes elizabetanos fluíam palavras que faziam seu próprio significado e o carregavam em seu próprio som, quando Shakespeare e Bacon eram possíveis; e a línga, agora, perecendo rapidamente de um lado e lentamente renovada de outro, estava em crescimento vigoroso e brava preservação – mais doce que o mel e mais forte que um leão – o lexicógrafo era uma pessoa desconhecida, o dicionário uma criação que seu Criador não o criou para criar.

Rosalia



LEXICÓGRAFO s.m. Camarada pestilento que, sob o pretexto de registrar um determinado estágio do desenvolvimento de um idioma, faz o que pode para frear o seu crescimento, enrijecer a sua flexibilidade e mecanizar os seus métodos. Pois o lexicógrafo, tendo escrito o seu dicionário, passa a ser considerado “alguém que tem autoridade”, embora a sua função seja apenas fazer um registro e não estabelecer uma lei. Tendo-o investido de poder judicioso, o servilismo natural do entendimento humano renuncia ao seu direito de razão e submete-se a um registro como se este fosse um estatuto. Basta um dicionário (por exemplo) marcar uma palavra boa como "obsoleta" ou "obsolescente" e poucos homens, daí em diante, aventurar-se-ão a usá-la, qualquer que seja a sua necessidade dela e por mais desejável que seja defender a sua restauração – e, dessa maneira, o processo de empobrecimento é acelerado e o discurso deteriora-se. Ao contrário, se, ao reconhecer a verdade de que o idioma precisa crescer por inovação para que tenha algum crescimento, alguém cria novas palavras e usa as antigas em sentido incomum, não encontra seguidores e é sarcasticamente lembrado de que “isso não está no dicionário” – ainda que, até a época do primeiro lexicógrafo (que os céus o perdoem!), nenhum autor jamais tivesse usado uma palavra que estivesse no dicionário. Nos tempos áureos e de apogeu da língua inglesa, quando dos lábios dos grandes elisabetanos caíam palavras que produziam o seu próprio sentido e o carregavam em seu próprio som, quando um Shakespeare e um Bacon eram possíveis e o idioma que perecia rapidamente de um lado e era lentamente renovado do outro estava em vigoroso crescimento e robusta preservação – mais doce que o mel e mais forte que um leão --, o lexicógrafo era uma pessoa desconhecida, o dicionário uma criação que o seu Criador não o criara para criar.

Concetta



LEXICÓGRAFO, s.m. Um sujeito pestilento que, sob o pretexto de registrar uma determinada etapa do desenvolvimento de um idioma, faz tudo que pode para impedir seu crescimento, enrijecer sua flexibilidade e mecanizar seus métodos. Após terminar seu dicionário, esse tal lexicógrafo chega a ser considerado "como alguém que possui autoridade", quando a função dele se limita a fazer um registro, não a estabelecer uma lei. Ao investi-lo do poder de julgar, a subserviência natural da inteligência humana renuncia a seu direito de raciocinar e se submete a uma crônica como se fosse um estatuto. Por exemplo, basta que o dicionário assinale uma boa palavra como "obsoleta" ou "obsolescente" e serão poucos os que, depois disso, se atreverão a usá-la, ainda que necessitem dela e por mais que seja desejável recuperar seu uso – com o que o processo de empobrecimento é acelerado e a língua decai. Pelo contrário; reconhecer a verdade que a língua só pode crescer através da inovação, formando novas palavras e usando as antigas com um novo sentido, não tem seguimento e é atalhado por um "não está no dicionário" – apesar de que, na época em que surgiu o primeiro lexicógrafo (que Deus o perdoe!), nenhum autor jamais usara uma só palavra que estivesse em dicionário. Nos áureos tempos e no ápice da língua inglesa, quando os lábios dos elisabetanos proferiam palavras que traziam em si o seu próprio sentido, portando-o até mesmo no som; quando um Shakespeare e um Bacon eram possíveis e a língua rapidamente perecia por um lado e lentamente se renovava por outro, em crescimento vigoroso e resoluta preservação – mais doce que o mel e mais forte que o leão – o lexicógrafo era pessoa desconhecida e o dicionário uma criação que o seu Criador não o tinha criado para criar.

Carmela



LEXICÓGRAFO, s.m. Um sujeito pernicioso que, sob o pretexto de registrar algum estágio particular do desenvolvimento de um idioma, faz o possível para deter o seu crescimento, imobilizar a sua flexibilidade e mecanizar os seus métodos. Para o seu lexicógrafo, ter escrito o seu dicionário o transforma em “alguém que detém a autoridade”, embora a sua função seja meramente registrar e não impor uma lei. O servilismo natural da compreensão humana, tendo outorgado a ele esse poder jurídico, cede o seu direito à razão e se submete ao registro como se ele fosse um estatuto. Deixe o dicionário (por exemplo) registrar um bom vocábulo como “obsoleto” ou “em vias de se tornar obsoleto” e raros indivíduos se aventurarão a utilizá-lo a partir desse momento por mais que precisem dele, e por mais que sejam a favor da restauração de seu uso – dessa forma, o processo de empobrecimento se acelera e o discurso se deteriora. Ao contrário, o reconhecimento da verdade que o idioma deva crescer pela inovação, se é que cresce mesmo, criando palavras novas e utilizando as antigas em um sentido não tão familiar não é seguido e chama-se a atenção secamente relembrando que “não está registrado no dicionário” – embora retornando ao tempo do primeiro lexicógrafo (Que Deus o perdoe!), nenhum autor jamais tenha utilizado a palavra que estivesse no dicionário. Na era de ouro e no auge do discurso inglês; quando dos lábios dos grandes contemporâneos da rainha Elizabeth I caíam palavras que carregavam seu próprio sentido e o conduziam ao seu exato som, quando um Shakespeare ou um Bacon eram plausíveis e a língua – que, por um lado, agora fenece tão rapidamente, e, de outro, renova-se tão lentamente - estava em crescimento vigoroso e em empedernida preservação – mais doce que o mel e mais forte que um leão – o lexicógrafo era uma pessoa desconhecida; o dicionário, uma criação cujo Criador não o tinha criado para criar.

Rosa



LEXICÓGRAFO, s.m. Sujeito pestilento que, sob o pretexto de registrar determinado estágio do desenvolvimento de uma língua, faz todo o possível para impedir o crescimento, enrijecer a flexibilidade e mecanizar os métodos desta. Tendo escrito o dicionário, nosso lexicógrafo passa a ser considerado como “alguém com autoridade”, ainda que sua função seja fazer um registro e não ditar uma lei. Uma vez que a compreensão humana, naturalmente subserviente, o investe de poder legal, ela abre mão de seu direito ao raciocínio e se submete a uma narrativa como se esta fosse um estatuto. Basta o dicionário rotular (por exemplo) uma palavra útil como “obsoleta” ou “obsolescente” e poucos serão aqueles que, a partir de então, ousarão utilizá-la, ainda que precisem dela e mesmo que sua restauração seja algo desejável. Dessa forma, o processo de empobrecimento se acelera e o discurso definha. Já a atitude contrária de reconhecer que na verdade a língua só poderá crescer através da inovação, criando novas palavras e empregando as antigas em sentidos não usuais, não produz adeptos e recebe a ríspida resposta de que “não está no dicionário” – ainda que, até que surgisse o primeiro lexicógrafo (que Deus o perdoe!), nenhum autor tinha usado uma palavra que estivesse no dicionário. Na era dourada da língua inglesa, quando os lábios dos grandes elisabetanos articulavam palavras capazes de criar seu próprio significado e carregar sua própria sonoridade, quando era possível a existência de um Shakespeare e um Bacon, e quando a língua que hoje perece rapidamente de um lado e é renovada lentamente do outro florescia e se conservava com vigor e garra – mais doce do que o mel e mais forte que um leão –, o lexicógrafo era um ser desconhecido e, o dicionário, uma criação que seu Criador ainda não havia dado a criação de criar.

Emma



LEXICÓGRAFO, s.m. Um sujeito pestilento que, sob o pretexto de registrar determinado estágio de desenvolvimento de um idioma, faz o possível para interromper seu progresso, endurecer sua flexibilidade e automatizar seus métodos. Pois o tal lexicógrafo, após escrever seu próprio dicionário, passa a ser considerado "uma autoridade", apesar de sua função ser meramente a de produzir um registro e não a de ditar leis. No entanto, o natural servilismo da compreensão humana, uma vez tendo-o investido de poder judicial, entrega a ele seu direito de raciocinar e se submete a uma crônica como se fosse um estatuto. Basta que o dicionário (por exemplo) classifique uma boa palavra como "obsoleta" ou "em desuso" e poucos se arriscarão a usá-la depois disso, a despeito de que precisem dela e do quão desejável seja seu retorno ao favor geral — motivo pelo qual o processo de empobrecimento se acelera e a língua se deteriora. Ao contrário, o reconhecimento de que a linguagem deva crescer através da inovação, se de algum modo, e que produz novas palavras e utiliza as antigas dando-lhes significados desconhecidos não conta com muitos seguidores e é acidamente lembrado de que "não está no dicionário" — embora, lá pela época do primeiro lexicógrafo (que Deus o perdoe!), escritor algum jamais tivesse usado uma palavra que "estivesse" no dicionário. Nos primeiros tempos dourados e no pináculo da glória da língua inglesa, quando dos lábios dos grandes elisabetanos manavam palavras que criavam seu próprio significado e o carregavam em seu próprio som, quando um Shakespeare e um Bacon eram permitidos e a linguagem, que hoje tão rapidamente se extingue num extremo e tão lentamente se renova no outro, encontrava-se em vigoroso crescimento e em forte preservação — mais doce que o mel e mais forte que o leão —, o lexicógrafo era um personagem desconhecido e o dicionário, uma criação para a qual seu Criador ainda não o havia criado para que criasse.

Caterina

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Traduções de "Corto Viaggio Sentimentale" de Italo Svevo

Resultado da experiência proposta aqui.
Discussão sobre as traduções na nossa comunidade.


"Prima ch'io amassi Anna io amai un'altra donna..."

"Chi è Anna?" interruppe il signor Aghios.

"Anna è la nipote del padre di Berta. Quella che m'impedì di tenere gli occhi chiusi e di sposare Berta senz'accorgermi ch'io non sapevo amarla. Ma non sapevo amare Berta proprio per il suo carattere.Prima di Anna io amai un'altra, non so quando, proprio nella mia prima infanzia, ma so che anche quest'altra era debole, debole, dolce, dolce, bisognosa di protezione e più disposta al pianto che alla lotta."

"Insomma sottile, sottile" disse il signor Aghios che intendeva benissimo avendo avuto gli stessi gusti. Non s'accorgeva il signor Aghios di restare ostinatamente fermo nella sua prima idea e di correre perciò il pericolo di fermare il racconto del Bacis.

"Sottile, sottile! Si, anche sottile" disse il Bacis arrendendosi.

Il signor Aghios sospirò soddisfatto di aver indovinato.

Il giovanotto aveva visto spesso Anna accanto alla fidanzata, ma non se ne era subito innamorato. Era una bambina, una vera bambina a quattordici anni. Di adulta c'era in lei la grande soggezione ai ricchi parenti, un calcolo dunque da persona molto ragionevole. Ma a quindici anni anche tale soggezione divenne ancora più da adulta, cioè s'ammantò di un po' di tristezza e divenne dolorosa per certi lievi scoppii di ribellione subito repressi, ma non abbastanza prontamente per sfuggire ai parenti che perciò la odiavano. Era vestita più dimessamente di prima, ma ogni straccio sul suo corpicino diventava importante.

Il signor Aghios aveva già bevuto abbastanza per sentirsi capace di conservare tutta la libertà di cui aveva goduto quasi tutto il giorno anche di fronte ad un interlocutore tanto veemente.

Con l'esperienza di chi molto amò e desiderò, ma nello stesso tempo con la parola pacata del vecchio ch'è simile all'uomo oggettivo chiuso nel laboratorio con gli elementi che rubò alla vita, osservò:

"Questi stracci appiccicati alla donna amata diventano una sua estensione. È come porre su uma fiamma un pezzettino informe di metallo. Quando s'arroventa emana la stessa o anche una maggiore luce della fiamma stessa. C'è una differenza però. Tutti vedono la luce. Non tutti la bellezza di quegli stracci. Grande differenza! ".

Il Bacis tracannò un bicchiere di vino per poter restare col pensiero al proprio discorso. Ma com l'Aghios un bicchiere non bastava, perché era un uomo che in viaggio voleva vederci chiaro "Perciò io credo che quegli stracci siano piuttosto simili a certi colori la cui bellezza è sentita dai soli artisti o dagl'intenditori. Già! È evidente! Solo chi ama è un intenditore." E anche il signor Aghios bevette per premiarsi di tanta acutezza.

"Ma tutti dicevano che Anna coi mezzi più semplici era vestita splendidamente."

CURTA VIAGEM SENTIMENTAL

Antes de amar Anna, amei outra mulher...”

«Quem é Anna? » interrompe o senhor Aghios.

«Anna é a sobrinha do pai de Berta. Aquela que me impede de manter os olhos fechados e casar com Berta sem me dar conta de que não sabia amá-la. Mas não sabia amar Berta por sua própria personalidade. Antes de Anna amei outra, não sei quando, na minha primeira infância, mas sei que essa outra também era frágil, frágil, meiga, meiga, carente de proteção e mais inclinada ao pranto do que à luta.

«Em resumo: magra, magra,« disse o senhor Aghios que entendia muito bem, pois tinha os mesmos gostos. O senhor Aghios não percebia que se detinha teimosamente em sua primeira idéia e assim corria o risco de interromper a história do Bacis.

«Magra, magra! Sim, magra também« disse o Bacis, rendendo-se. O senhor Aghios suspirou, satisfeito de ter adivinhado.

O jovem havia visto Anna freqüentemente ao lado da noiva, mas não se enamorou imediatamente. Era uma menina, não passava de uma menina de catorze anos. Como adulta, havia nela uma grande obediência aos pais ricos, um cálculo, portanto, de uma pessoa bastante razoável. Mas, aos quinze anos, tal obediência se tornou ainda mais adulta, isto é, cobriu-se de certa tristeza e tornou-se dolorosa devido a alguns leves arroubos de rebeldia imediatamente suprimidos, mas não rápido o suficiente que escapassem aos pais, que, por isso, a odiavam. Estava vestida de maneira mais modesta do que antes, mas cada pedacinho de pano sobre seu corpinho se tornava importante.

O senhor Aghios já havia bebido o suficiente para se sentir capaz de conservar toda a liberdade de que havia gozado quase o dia inteiro, até diante um interlocutor tão veemente.

Com a experiência de quem muito amou e desejou, mas, ao mesmo tempo, com a palavra pacata do velho semelhante ao homem objetivo fechado no laboratório com os elementos que roubou à vida, observou:

«Esses trapos sobre a mulher amada tornam-se uma extensão dela. É como pôr sobre uma chama um pedacinho de metal disforme. Quando se abrasa, aquela mesma chama emana a mesma luz, ou uma luz ainda maior. Há, porém, uma diferença. Todos vêem a luz. Mas nem todos vêem a beleza daqueles trapos. Há uma grande diferença!”

O Bacis engoliu um copo de vinho para poder concentrar o pensamento no próprio discurso. Mas com o Aghios um só copo não bastava, porque era um homem que, em viagem, queria ver as coisas claramente.

«Porque creio que aqueles trapos são mais parecidos com certas cores cuja beleza é somente percebida por artistas ou entendidos.

Isso! É evidente! Só quem ama é um entendido”. E o senhor Aghios também bebeu para se premiar por tanta perspicácia.

«Mas todos diziam que Anna com os trajes mais simples estava esplendidamente vestida.”

Alcides



“Amei outra mulher antes de Anna...”

“Quem é Anna?”, interrompeu o senhor Aghios.

“Anna é a sobrinha do pai de Berta. Foi ela quem me impediu de manter os olhos fechados e de casar com Berta sem perceber que eu não sabia amá-la. Mas eu não sabia amar Berta exatamente por causa do seu temperamento. Antes de Anna eu amei outra, não sei quando, já na minha primeira infância, mas eu sei que essa também era frágil e suave, muito frágil e muito suave, carente de proteção e mais propensa ao pranto do que à luta.”

“Enfim, muito esguia”, disse o senhor Aghios que compreendia muito bem, já que tinha os mesmos gostos. O senhor Aghios não percebia que estava obstinadamente fixo na sua idéia inicial e que, portanto, corria o risco de interromper o relato de Bacis.

“Esguia, esguia! Sim, esguia também”, disse Bacis, rendendo-se. O senhor Aghios suspirou, satisfeito por ter adivinhado.

O jovem tinha visto Anna muitas vezes junto a sua namorada, mas não tinha se apaixonado logo. Era uma criança, uma autêntica criança de 14 anos. De adulta havia nela a grande submissão aos parentes ricos, e isso era uma avaliação de uma pessoa muito racional. Mas aos quinze anos também essa submissão se tornou ainda mais de adulta, isto é, se encobriu de um pouco de tristeza e se tornou dolorosa por causa de algumas leves explosões de revolta, logo reprimidas, mas não de modo tão rápido que pudesse escapar dos parentes que, por isso, a odiavam.

Estava vestida de modo mais humilde do que antes, mas qualquer trapo sobre o seu pequeno corpo se tornava importante.

O senhor Aghios já havia bebido bastante para sentir-se capaz de manter toda a liberdade da qual havia desfrutado quase o dia inteiro, mesmo diante de um interlocutor tão veemente.

Com a experiência de quem muito amou e desejou, mas ao mesmo tempo, com o falar sereno de um velho, que é parecido com o homem objetivo, fechado no laboratório com os elementos que roubou da vida, observou:

“Esses trapos aderidos à mulher amada se tornam uma extensão dela. É como pôr sobre uma chama um pedacinho disforme de metal. Quando ele se inflama, emana uma luz igual ou maior do que a própria chama.

Porém, há uma diferença: todos vêem a luz, mas nem todos vêem a beleza daqueles trapos. Grande diferença!”.

Bacis emborcou um copo de vinho para poder manter o pensamento no próprio raciocínio. Mas com Aghios um copo não bastava, porque era um homem que quando viajava queria entender tudo com clareza.

“Por isso, eu acredito que aqueles trapos sejam muito parecidos a certas cores cuja beleza é sentida só pelos artistas ou pelos entendidos. Sim! É evidente! Só quem ama é um entendido”. E o senhor

Aghios também bebeu para premiar-se por tanta perspicácia.

“Mas todos diziam que Anna se vestia de modo magnífico, mesmo com recursos simples.”

Ananias



– Antes de amar Anna eu amei outra mulher...

– Quem é Anna? – interrompeu o senhor Aghios.

– Anna é a sobrinha do pai de Berta. Foi ela quem me impediu de fechar os olhos e de casar com Berta sem que me ocorresse que eu não a sabia amar. Mas era justamente devido ao seu temperamento que eu não sabia amar Berta. Eu amei outra, antes de Anna. Nem sei quando, talvez até mesmo na minha primeira infância – mas sei que ela também era fraquinha fraquinha, meiga meiga, necessitada de proteção e com mais disposição para o choro que para a luta.

– Fina, fina, enfim – disse o senhor Aghios, que tinha tido as mesmas inclinações e, por isso, compreendia muito bem. Não percebia, o senhor Aghios, que dessa maneira ficava teimosamente fixado na sua primeira idéia e, portanto, corria o risco de interromper o relato de Bacis.

– Fina, fina! Sim: fina, também – disse Bacis, dando-se por vencido. O senhor Aghios suspirou, satisfeito por ter acertado.O jovem havia avistado freqüentemente Anna ao lado da noiva, mas não se apaixonara de imediato. Era uma criança, uma criança mesmo, com os seus quatorze anos. Havia traços adultos nela: na grande submissão aos ricos parentes – um cálculo, pois, de pessoa muito ponderada. Mas, aos quinze anos, essa submissão tornou-se mais adulta ainda, ou seja, ganhou um pouquinho de tristeza e se tornou dolorida por causa de certos leves rompantes de rebelião, logo reprimidos, mas não tão prontamente para passarem impercebidos aos parentes que, portanto, a odiavam. Trajava roupas mais modestas que antes, mas até mesmo um trapo surrado ficava-lhe bem naquele corpinho.

O senhor Aghios já havia bebido o suficiente para sentir-se capaz de conservar toda a liberdade de que havia gozado por quase todo o dia até mesmo diante de um interlocutor tão veemente.

Com a experiência de quem já amou e desejou muito, mas, ao mesmo tempo, com as palavras pacatas do velho – que se assemelha ao homem de ciência, trancado no laboratório com os elementos que roubou à vida, observou:

– Esses trapos colados na mulher amada tornam-se uma sua extensão. É como pôr um pedacinho informe de metal sobre uma chama. Quando abrasar, emitirá a mesma luz que a própria chama, ou até mais. Mas há uma diferença. Todos vêem a luz. Nem todos, a beleza daqueles trapos.

Notável diferença!

Bacis tragou um copo de vinho para conseguir permanecer preso ao que estava dizendo. Mas com Aghios um copo só não bastava, porque era um homem que, nas viagens, gostava de ver tudo com clareza.

– Por isso eu creio que aqueles trapos sejam antes parecidos àquelas cores cuja beleza só é sentida pelos artistas ou pelos entendedores. Isso! Claro! Só quem ama é um entendedor.

E, para premiar-se por tanta perspicácia, o senhor Aghios também tragou um copo.

– Mas todos diziam que Ana vestia esplendorosamente, mesmo com as roupas mais simples.

Antonio



“Antes de amar a Anna, amei outra mulher...”

“Quem é Anna?” interrompeu o Sr. Aghios.

“Anna é a sobrinha do pai da Berta. Aquela que me abriu os olhos, fazendo com que eu casasse com a Berta ciente de que não a amava. Antes da Ana, amei uma outra, não sei com certeza quando, só sei que foi na minha primeira infância. Mas sei que também esta outra era frágil. Muito frágil e doce, extremamente doce. Carente de proteção, e mais predisposta ao choro que à luta.”

“Em suma, sutil. Muito sutil...” - disse o Sr. Aghios, que entendia muito bem, pois tivera os mesmos gostos. Ele não se dava conta de persistir com a sua idéia inicial e assim correr o risco de interromper a história do Bacis.

“Sutil, muito sutil... Sim! Sutil, também”... disse Bacis rendendo-se. O Sr. Aghios suspirou, satisfeito, por ter adivinhado.O jovem havia visto Anna muitas vezes junto com a namorada, mas não se apaixonara logo de cara.

Era uma criança, uma criança de catorze anos. De adulto, havia nela uma intensa sujeição aos parentes ricos, uma avaliação de pessoa bem ponderada. Aos quinze anos, porém, essa sujeição ficou ainda mais adulta ou seja cobriu-se de tristeza, tornando-se dolorida devido a pequenos surtos de rebelião logo reprimidos, mas não tão prontamente a ponto de passar desapercebidas pelos parentes, que por esse motivo a odiavam.

Estava vestida ainda mais desleixada do que antes, mas qualquer trapo naquele corpinho tornava-se interessante.

O Sr. Aghios já tinha bebido o suficiente para se sentir seguro de continuar com toda a liberdade gozada junto a um interlocutor tão impetuoso.

Com a experiência de quem muito amou e desejou, mas ao mesmo tempo com aquele tom de voz pausado de velho, parecido com o homem racional fechado no laboratorio junto com os elementos que roubou à vida, ele observou: “Estes trapos grudados à mulher amada tornam-se uma extensão dela. É como quando se coloca sobre a chama um pedacinho de metal sem forma. Quando incandesce, emana a mesma luz do que a própria chama, talvez até mais intensa.

Entretanto, existe uma diferença. Todos enxergam a luz. Nem todos a beleza daqueles trapos. Grande diferença!”

Bacis engoliu um copo de vinho para conseguir permanecer concentrado no seu discurso. Mas para o Sr. Aghios um copo não bastava

- ele era o tipo de homem que, quando em viagem, quer enxergar tudo claro.

“Por isso mesmo eu acredito que aqueles trapos sejam de qualquer modo parecidos com certas cores, cuja beleza é percebida tão somente pelo artistas ou os entendidos. Claro! É evidente! Somente quem ama é um entendido.” E também o Sr. Aghios bebeu um trago para premiar-se por tanta astúcia.

“Mas todos diziam que Anna com os meios mais simples estava vestida esplendidamente.”

Armando



– Antes de amar Anna, amei outra mulher...

– Quem é Anna? – interrompeu o senhor Aghios.

– É a sobrinha do pai de Berta. Foi quem me impediu de ficar de olhos fechados e de me casar com Berta sem perceber que eu não sabia amá-la. Mas eu não sabia amá-la justamente por seu caráter. Amei outra antes de Anna, não sei exatamente quando, bem na primeira infância, mas sei que essa outra também era bem fraquinha, bem doce, carente de proteção e mais disposta ao pranto do que à luta.

– Enfim, bem delicada – disse o senhor Aghios, um ótimo entendedor, posto que teve os mesmos gostos. Ele não se dava conta de estar obstinadamente fixo em sua primeira idéia e, portanto, de correr o risco de paralisar a narrativa de Bacis.

– Bem delicada! É, delicada também – disse Bacis, se rendendo. O senhor Aghios suspirou, satisfeito por ter adivinhado.

O jovem havia visto Anna com freqüência ao lado da noiva, mas não se apaixonou de imediato. Era uma menina, uma verdadeira menina de quatorze anos. Havia de adulta nela uma grande submissão aos parentes ricos, um cálculo, portanto, de uma pessoa bem sensata. Mas, aos quinze anos, essa submissão também se tornou de uma pessoa ainda mais adulta, ou seja, se revestiu de um pouco de tristeza e se tornou dolorosa por causa de umas leves explosões de revolta imediatamente reprimidas, mas não rápido o bastante para escapar dos parentes que por isso a odiavam. Vestia-se mais maltrapilha do que antes, mas cada pedaço de pano se tornava importante no seu corpinho.

O senhor Aghios já havia bebido o suficiente para se sentir capaz de conservar toda a liberdade de que vinha gozando praticamente o dia inteiro, até mesmo diante de um interlocutor tão veemente.

Com a experiência de quem muito amou e desejou, mas ao mesmo tempo com a pacata palavra do velho que se parece ao homem objetivo trancado no laboratório com os elementos que roubou na vida, observou: – Grudados à mulher amada, esses panos se tornam uma extensão sua. É como colocar numa chama um pedacinho de metal sem forma. Quando se incandesce, emana a mesma luz que a chama propriamente dita, ou até maior. Há uma diferença porém. Todos vêem a luz. Nem todos a beleza dos panos. E que diferença!

Bacis virou um copo de vinho para conseguir continuar com o pensamento no seu próprio discurso. Mas com Aghios um copo não bastava, pois era um homem que queria conhecer bem durante a viagem.

– Por isso acredito que aqueles panos sejam bem parecidos com certas cores cuja beleza percebem somente os artistas ou entendedores. Isso! É óbvio! Só quem ama é um entendedor. – E o senhor Aghios também bebeu, para se premiar por tamanha perspicácia.

– Mas todos diziam que Anna, mesmo vivendo nas mais humildes condições, se vestia esplendidamente.

Arnaldo

domingo, 6 de maio de 2007

Traduções de "An Encounter With an Interviewer", peça curta de Mark Twain

Resultado da experiência proposta anteriormente neste blog: http://laboratoriotradutorio.blogspot.com/2007/04/encounter-with-interviewer-pea-curta-de.html

Eis as 14 traduções desta peça que foram apresentadas. Os nomes dos tradutores, todos eles participantes da comunidade, são fictícios.

Discussão: http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=50302&tid=2530658955630318196

An Encounter With An Interviewer

[...]

Q. How old are you?

A. Nineteen, in June.

Q. Indeed. I would have taken you to be thirty-five or six. Where were you born?

A. In Missouri.

Q. When did you begin to write?

A. In 1836.

Q. Why, how could that be, if you are only nineteen now?

A. I don't know. It does seem curious, somehow.

Q. It does, indeed. Whom do you consider the most remarkable man you ever met?

A. Aaron Burr.

Q. But you never could have met Aaron Burr, if you are only nineteen years!

A. Now, if you know more about me than I do, what do you ask me for?

Q. Well, it was only a suggestion; nothing more. How did you happen to meet Burr?

A. Well, I happened to be at his funeral one day, and he asked me to make less noise, and--

Q. But, good heavens! if you were at his funeral, he must have been dead, and if he was dead how could he care whether you made a noise or not?

A. I don't know. He was always a particular kind of a man that way.

Q. Still, I don't understand it at all. You say he spoke to you, and that he was dead.

A. I didn't say he was dead.

Q. But wasn't he dead?

A. Well, some said he was, some said he wasn't.

Q. What did you think?

A. Oh, it was none of my business! It wasn't any of my funeral.

Q. Did you--However, we can never get this matter straight. Let me ask about something else. What was the date of your birth?

A. Monday, October 31, 1693.

Q. What! Impossible! That would make you a hundred and eighty years old. How do you account for that?

A. I don't account for it at all.

Q. But you said at first you were only nineteen, and now you make yourself out to be one hundred and eighty. It is an awful discrepancy.

A. Why, have you noticed that? (Shaking hands.) Many a time it has seemed to me like a discrepancy, but somehow I couldn't make up my mind. How quick you notice a thing!

Q. Thank you for the compliment, as far as it goes. Had you, or have you, any brothers or sisters?

A. Eh! I--I--I think so--yes--but I don't remember.

Q. Well, that is the most extraordinary statement I ever heard!

A. Why, what makes you think that?

Q. How could I think otherwise? Why, look here! Who is this a picture of on the wall? Isn't that a brother of yours?

A. Oh, yes, yes, yes! Now you remind me of it; that was a brother of mine. That's William--Bill we called him. Poor old Bill!

Q. Why? Is he dead, then?

A. Ah! well, I suppose so. We never could tell. There was a great mystery about it.

Q. That is sad, very sad. He disappeared, then?

A. Well, yes, in a sort of general way. We buried him.

Q. Buried him! Buried him, without knowing whether he was dead or not?

A. Oh, no! Not that. He was dead enough.

Q. Well, I confess that I can't understand this. If you buried him, and you knew he was dead--

A. No! no! We only thought he was.

Q. Oh, I see! He came to life again?

A. I bet he didn't.

Q. Well, I never heard anything like this. Somebody was dead. Somebody was buried. Now, where was the mystery?

A. Ah! that's just it! That's it exactly. You see, we were twins-- defunct--and I--and we got mixed in the bathtub when we were only two weeks old, and one of us was drowned. But we didn't know which. Some think it was Bill. Some think it was me.

[...]

[...]

P. Quantos anos você tem?

R. Faço dezenove em junho.

P. Certo. Eu diria que você tem trinta e cinco, ou trinta e seis. Onde você nasceu?

R. No Missouri.

P. Quando você começou a escrever?

R. Em 1836.

P. Mas como, se agora você tem apenas dezenove anos?

R. Eu não sei. É, de certa forma, meio curioso isso.

P. E é mesmo. Quem você considera a pessoa mais extraordinária que você já conheceu?

P. Aaron Burr.

P. Mas você não pode ter conhecido Aaron Burr se você tem só dezenove anos!

R. Olha, se você sabe mais sobre mim do que eu, para que me pergunta?

P. Bem, foi só um lembrete, mais nada. E como você veio a encontrar Burr?

R. Bem, um dia eu, por acaso, estava no funeral dele, e ele me pediu para fazer menos barulho, e --

P. Mas pelo amor de Deus! Se você estava no funeral dele, ele devia estar morto, e, se estava morto, como ele poderia se importar se você fazia barulho ou não?

R. Eu não sei. Ele sempre foi um homem de jeito próprio.

P. Mesmo assim, ainda não entendo. Você diz que ele falou com você e ele estava morto.

R. Eu não disse que ele estava morto.

P. Mas ele não estava?

R. Bem, alguns dizem que sim, outros dizem que não.

P. O que você acha?

R. Ah, isso não era da minha conta! O funeral não era meu.

P. Você-- Nós nunca vamos poder resolver essa questão. Deixe-me perguntar sobre outra coisa. Qual é a data de seu nascimento?

R. Segunda-feira, 31 de outubro de 1693.

P. O quê! Impossível! Isso lhe daria cento e oito anos. Como você pode provar isso?

R. Eu não preciso provar nada.

P. Mas você disse primeiro que tinha apenas dezenove anos, e agora você aparece com cento e oito. É uma discrepância enorme.

R. Hã, você notou? (Mãos tremendo.) Muitas vezes isso me pareceu uma discrepância, mas não conseguia me decidir. Como você nota as coisas rápido!

P. Obrigado pelo elogio, enquanto válido. Você tinha, ou tem, irmãos ou irmãs?

R. É! Eu… eu… eu acho que…. sim... mas eu não me lembro.

P. Nossa, é a resposta mais extraordinária que já ouvi!

R. Ora, o que faz você achar isso?

P. Como não poderia ser? Olhe, aqui! De quem é aquele quadro na parede? Não é um irmão seu?

R. Ah, sim, claro! Agora que você me lembrou… é sim um irmão meu. É o William-- nós o chamávamos Bill. Pobre Bill!

P. Por quê? Ele está morto?

R. Ah! Bem, eu acho que sim. Não dá para dizer. Existe um grande mistério.

P. É uma pena, uma pena mesmo. Então ele desapareceu?

R. Bem, sim, de uma certa forma. Nós o enterramos.

P. Enterraram! Você o enterrou, sem saber se ele estava morto ou não?

R. Ah, não! Isso não. Ele estava morto, sim.

P. Bem, eu confesso que não entendo. Se você o enterrou, e sabia que ele estava morto--

R. Não! Não! Nós só pensávamos que ele estava.

P. Ah, entendi! Ele voltou à vida, então?

R. Lógico que não.

P. Bem, eu nunca ouvi nada desse tipo. Uma pessoa morreu. Uma pessoa foi enterrada. E onde está o mistério disso?

R. Ah! É isso! Exatamente isso! Veja, nós éramos gêmeos... o defunto... e eu... e nós caímos na banheira quando tínhamos apenas duas semanas, e um de nós se afogou. Mas nós não sabemos quem. Alguns acham que foi o Bill. Outros acham que fui eu.

[...]

Tradução: Letícia



[...]

P. Quantos anos o senhor tem?

R. Dezenove, em Junho.

P. Não é possível. Eu daria ao senhor trinta e cinco ou trinta e seis. Onde o senhor nasceu?

R. No Missouri.

P. Quando o senhor começou a escrever?

R. Em 1836.

P. Ora, como poderia ser, se o senhor tem só dezenove anos?

R. Não sei. De alguma forma, parece realmente curioso.

P. Sem dúvida, parece. Quem o senhor considera o homem mais extraordinário que já conheceu?

R. Aaron Burr.

P. Mas o senhor nunca poderia ter conhecido Aaron Burr, se tem apenas dezenove anos!

R. Se o senhor sabe mais sobre mim do que eu, por que me pergunta?

P. Bem, foi só um comentário, nada mais. Como o senhor conheceu Burr?

R. Bem, aconteceu que eu estava no funeral dele um dia, e ele me pediu para fazer menos barulho, e…

P.Mas, por Deus! Se o senhor estava em seu funeral ele devia estar morto, e se ele estava morto como podia se importar se o senhor fazia barulho ou não?

R. Não sei. Ele sempre foi um tipo especial de homem.

P. Eu ainda não entendo totalmente. O senhor diz que ele falou com o senhor, e que ele estava morto.

R. Eu não disse que ele estava morto.

P. Mas ele não estava morto?

R. Bem, alguns diziam que ele estava, alguns diziam que ele não estava.

P. O que o senhor achou?

R. Oh, não era da minha conta. O funeral não era o meu.

P. O senhor… De qualquer modo, nós nunca vamos esclarecer esta questão. Deixe-me perguntar sobre outra coisa. Qual foi a data de seu nascimento?

R. Segunda-feira, 31 de outubro de 1693.

P. Como? Impossível! Isso faria com que o senhor tivesse cento e oitenta anos. Como o senhor explica isso?

R. Absolutamente, não explico.

P. Mas o senhor disse primeiro que tinha só dezenove, e agora o senhor se diz com mais de cento e oitenta. É uma discrepância impressionante.

R. Ora, o senhor notou isso? (parabenizando com um aperto de mãos) Mais de uma vez, pareceu-me uma discrepância, mas de alguma maneira eu não pude entender. Como o senhor percebe as coisas rapidamente!

P. Obrigado pelo cumprimento, se é que foi um cumprimento ….. O senhor teve, ou o senhor tem, irmãos ou irmãs?

R. Er….eu…eu…eu acho que sim…mas não me lembro.

P. Bem, esta é a afirmação mais extraordinária que eu já ouvi!

R. Ora, o que faz o senhor pensar assim?

P. Como poderia eu pensar de outra maneira? Ora, vejamos. De quem é este retrato na parede? Não é de um irmão do senhor?

R. Oh, sim, sim, sim! Agora o senhor me faz lembrar; era um irmão meu. Aquele é William...Nós o chamávamos de Bill. Pobre velho Bill!

P. Por que? Então ele está morto?

R. Ah! Bem, eu acho que sim. Nós nunca pudemos dizer. Houve um grande mistério a respeito.

P. Isso é triste, muito triste. Ele desapareceu, então?

R. Bem, sim, de um modo geral. Nós o enterramos.

P. Enterraram-no! Enterraram-no sem saber se ele estava morto ou não?

R. Oh, não, isso não. Ele estava morto o bastante.

P. Bem, confesso que não consigo entender isto. Se os senhores o enterraram, e sabiam que ele estava morto...

R. Não! Não! Nós só pensamos que ele estava.

P. Oh, entendo! Ele ressuscitou?

R. Aposto que não.

P. Bem, eu nunca ouvi nada parecido. Alguém estava morto. Alguém foi enterrado. Então, onde estava o mistério?

R. Ah! É isso mesmo! Exatamente isso. Veja bem, nós éramos gêmeos... o defunto e eu...e nós nos misturamos na banheira quando tínhamos só duas semanas, e um de nós se afogou. Mas nós nunca soubemos qual. Alguns pensam que foi o Bill. Alguns pensam que fui eu.

[...]

Tradução: Beatriz



[...]

P. Qual a sua idade?

R. Faço dezenove em junho,

P. Mesmo? Achei que tinha trinta e cinco ou trinta e seis. Onde você nasceu?

R. No Missouri.

P. Quando começou a escrever?

R. Em 1836.

P. Mas como assim, se você tem apenas dezenove anos?

R. Não sei. Parece mesmo interessante, não?

P. Sem dúvida. Quem você considera a pessoa mais marcante que já conheceu?

R. Aaron Burr.

P. Mas você não pode ter conhecido Aaron Burr, se tem apenas dezenove anos!

R. Oras, mas se você sabe mais de mim do que eu mesmo, por que me pergunta?

P. Bem, foi só uma idéia, nada mais. Como conheceu Burr?

R. Bem, calhou de eu estar em seu funeral um dia, e ele me pediu para fazer menos barulho, e…

P. Mas, por Deus!Se você estava em seu funeral, ele devia estar morto, e se ele estava morto, como poderia se importar se você fazia barulho ou não?

R. Não sei. Ele sempre foi um tipo peculiar de homem, daquele jeito.

P. Mesmo assim, ainda não entendo tudo. Você disse que ele falou com você, e que ele estava morto.

R. Eu não disse que ele estava morto.

P. Mas não estava morto?

R. Bem, uns dizem que estava, outros dizem que não.

P. O que você achava?

R. Ah, não era da minha conta! Não era o meu funeral.

P. Você – mas é possível que nunca resolvamos esse assunto. Deixe-me perguntar alguma outra coisR. Quando você nasceu?

R. Foi numa segunda-feira, 31 de outubro de 1693.

P. O quê? Impossível! Isso daria cento e oitenta anos! Como você calcula isso?

R. Eu não calculo.

P. Mas primeiro você disse que tinha apenas dezenove anos, e agora diz que nasceu cento e oitenta anos atrás. É uma discrepância enorme!

R. Mesmo, você notou? (Apertam-se as mãos.) Por muito tempo me pareceu uma discrepância, mas de algum modo, eu não conseguia decidir. Como você percebe as coisas rápido!

P. Obrigado pelo elogio, se é mesmo um. Você teve, ou tem, irmãos?

R. Ah! E-e-eu acho que sim – tive – mas não lembro.

P. Bem, essa é a frase mais extraordinária que eu já ouvi!

R. Por que, o que te faz pensar isso?

P. Como eu poderia pensar de outro modo? Vá, olhe aqui! De quem é esse retrato na parede? Não é de um dos seus irmãos?

R. Poor old Bill! Ah, sim, sim, sim! Agora você me fez recordar, era um de meus irmãos. É o William – mas o chamávamos Bill. Pobre Bill!

P. Por quê? Ele está morto, então?

R. Bom, creio que sim. Não se poderia dizer. Havia um grande mistério a esse respeito.

P. Isso é triste, muito triste. Ele desapareceu, então?

R. Bem, sim, de um certo modo. Nós o enterramos.

P. Enterraram! Enterraram-no, sem saber se estava vivo ou morto?

R. Não, assim não! Ele estava bem morto.

P. Bem, confesso que não entendo. Se vocês o enterraram, e sabiam que ele estava morto…

R. Não! Não! Apenas pensamos que ele estava.

P. Ah, entendi! Ele voltou à vida?

R. Aposto que não.

P. Bem, nunca ouvi nada parecido com isso. Alguém estava morto. Alguém foi enterrado. Então, onde está o mistério?

R. Ah! É isso! Exatamente isso! Veja, éramos gêmeos – o defunto – e eu – e fomos trocados na banheira quando tínhamos apenas duas semanas, e um de nós se afogou. Mas ninguém sabia qual. Alguns pensaram que era o Bill. Outros pensaram que era eu.

[...]

Tradução: Henrique



[...]

P. Quantos anos você tem?

R. Faço dezenove em junho.

P. É mesmo? Eu lhe teria dado trinta e cinco ou seis. Onde você nasceu?

R. Missouri.

P. Quando você começou a escrever?

R. Em 1836.

P. Mas como, se você só tem dezenove agora?

R. Não sei. De certa forma, parece estranho mesmo.

P. Parece mesmo. Quem você considera o homem mais extraordinário que já conheceu?

R. Aaron Burr.

P. Mas você não pode ter conhecido Aaron Burr, se tem só dezenove anos!

R. Olhe, se você sabe mais de mim do que eu, por que me pergunta?

P. Bem, foi só uma sugestão; nada mais. E como é que você conheceu Burr?

R. Um dia aconteceu de eu estar no enterro dele, e ele me pediu para fazer menos barulho, e—

P. Mas, santo Deus! Se você foi ao enterro dele, é porque ele estava morto, e, se estava morto, que diferença lhe faria se você fazia barulho ou não?

R. Não sei. Ele sempre foi um homem de detalhes.

P. Ainda assim, não estou entendendo nada. Você diz que ele falou com você, e que estava morto.

R. Eu não disse que ele estava morto.

P. Mas ele não estava morto?

R. Bem, houve quem dissesse que ele estava, e houve quem dissesse que não.

P. E você, o que achou?

R. Ah, não era da minha conta! Não era o meu enterro.

P. Mas você-- não se consegue esclarecer este assunto. Deixe-me perguntar outra coisa. Qual a data do seu nascimento?

R. Segunda-feira, 31 de outubro de 1693.

P. O quê?! É impossível! Você teria cento e oitenta anos de idade. Como é que você explica isso?

R. Eu não explico coisa nenhuma.

P. Mas no início você disse que tinha só dezenove anos, e agora diz que tem cento e oitenta. É uma enorme discrepância.

R. Mas você percebeu isso? (Mãos trêmulas). Muitas vezes me pareceu uma discrepância, mas nunca consegui resolver isso. Como você percebe rápido as coisas!

P. Obrigado pelo elogio, mesmo assim. Você teve, ou tem, irmãos ou irmãs?

R. Ahn, eu— eu— acho que sim — mas não me lembro.

P. Essa é a afirmação mais incrível que já ouvi!

R. Mas o que o faz pensar assim?

P. Como eu poderia pensar de outro modo? Veja bem! Esse retrato na parede é de quem? Não é de um irmão seu?

R. Ah, sim, sim, sim! Agora você me lembrou: era um irmão meu. É William— que chamávamos de Bill. Pobre Bill!

P. Por quê? Ele morreu?

R. Ah! Acho que sim. Nunca soubemos com certeza. Havia um grande mistério sobre o assunto.

P. Isso é triste, muito triste. Ele desapareceu, então?

R. Bem, sim, de um modo geral. Nós o enterramos.

P. Nós o enterramos. Enterraram-no, sem saber se ele estava morto?

R. Oh, não! Isso não. Ele estava bem morto.

P. Bem, confesso que não entendi. Se vocês o enterraram, e sabiam que estava morto—

R. Não! Não! Apenas pensamos que ele estivesse.

P. Oh, entendi! Ele voltou à vida?

R. Tenho certeza de que não.

Q. Ai, nunca ouvi nada parecido. Alguém estava morto. Alguém foi enterrado. Agora, onde está o mistério?

R. Ah! é isso mesmo! É exatamente isso! Sabe, éramos gêmeos -- o defunto --e eu-- e nos misturaram na banheira quando tínhamos apenas duas semanas, e um de nós se afogou. Mas não sabíamos qual. Alguns acham que foi o Bill. Alguns acham que fui eu.

[...]

Tradução: Rafaela



[...]

P. –Quantos anos o senhor tem?

R. –Vou fazer dezenove, em junho.

P. –Verdade? Eu diria que o senhor tem trinta e cinco ou trinta e seis. Onde o senhor nasceu?

R. –Em Missouri.

P. –Quando o senhor começou a escrever?

R. –Em 1836.

P. –Mas como, se o senhor só tem dezenove anos agora?

R. –Não sei. Mas não deixa de ter seu lado curioso.

P. –Certamente, tem. Qual a pessoa mais extraordinária que o senhor conheceu?

R. –Aaron Burr.

P. –Mas, como é que o senhor pode ter conhecido Aaron Burr, se está só com dezenove anos?

R. –Bom, se você sabe mais que eu, porque está me fazendo perguntas?

P. –Bom, foi só uma sugestão, nada mais. Como foi que o senhor conhecer Aaron Burr?

R. –Bom, um dia eu fui ao funeral dele e ele me pediu para fazer menos barulho, e -

P. –Meu Deus do Céu! Se era o funeral dele, ele tinha que estar morto e, se estava morto, por que ele ia se importar com o barulho que o senhor estivesse fazendo?

R. –Não sei. Ele sempre foi um sujeito meio esquisito, assim.

P. –Mesmo assim, continuo não entendendo. O senhor disse que ele falou com o senhor e ele estava morto.

R. –Não disse que ele estava morto.

P. –Mas, ele não estava morto?

R. –Bom, tem gente que diz que estava, tem gente que diz que não estava.

P. –O que o senhor acha?

R. –Ah, não era da minha conta! Não era o meu funeral nem nada.

P. –O senhor - deixa para lá, não vou conseguir esclarecer essa história. Mudando de assunto: Em que dia o senhor nasceu?

R. –Segunda-feira, 31 de outubro de 1693

P. –O que? Impossível! Se tivesse nascido nesse dia, o senhor ia estar com cento e oitenta anos; Como o senhor explica isso?

R. –Eu não explico nada.

P. –Mas o senhor primeiro disse que tinha só dezenove anos e agora diz que tem cento e oitenta. É uma enorme diferença.

R. –É? Você notou? (Agitando as mãos) Muitas vezes também me pareceu uma diferença, mas, por alguma razão, nunca consegui me decidir. Como você é rápido para perceber as coisas!

P. –Obrigado pelo cumprimento, se é que isso é um cumprimento. O senhor tem ou teve irmãos ou irmãs?

R. –Uhm! A-a-acho que sim – mas não me lembro.

P. –Olha, nunca ouvi alguém dizer isso na vida!

R. –Ué, por quê?

P. –Como é que eu não ia estranhar? Ih, olhe aqui! Quem é aquele, no retrato, na parede? Não é seu irmão?

R. –Ah, é sim, é sim! Agora que você falou, eu me lembrei: era meu irmão. Era o William - a gente chamava ele de Bill. Coitado do Bill!

P. –Por quê? Ele morreu?

R. –Ah! Bom, acho que sim. Nunca tivemos certeza. Foi uma coisa muito misteriosa.

P. –Que coisa triste! Muito triste! Ele desapareceu?

R. –Bom, sim, de certo modo, sim. A gente enterrou.

P. –Enterraram! Enterraram, sem saber se estava morto?

R. –Ah, não! Não foi isso. Ele estava bem mortinho.

P. –Confesso que não consigo entender essa história. Vocês enterraram e sabiam que ele estava morto…

R. –Não! Não! A gente só achava que ele estava morto.

P. –Ah, entendi! Ele voltou à vida?

R. –Garanto que não.

P. –Olha, eu nunca ouvi uma coisa dessas. Alguém morreu. Alguém foi enterrado. Então, qual é o mistério?

R. –Ah, mas é justamente isso. Exatamente. Sabe, nós éramos gêmeos - o defunto e eu – mas misturaram a gente na banheira quando a gente tinha dois anos e um de nós morreu afogado. Mas ninguém sabe qual dos dois foi. Tem quem ache que foi o Bill. Tem quem diga que fui eu.

[...]

Tradução: Júlia



Encontro com um entrevistador

peça de Mark Twain (trecho)

[...]

P - Qual é a sua idade?

R – Vou fazer dezenove em junho.

P – Sério? Imaginei que o senhor tivesse trinta e cinco ou trinta e seis. Onde o senhor nasceu?

R – No Missouri.

P - E quando começou a escrever?

R - Em 1836.

P - Ora, mas como pode ser isso, se o senhor tem apenas dezenove anos?

R - Não sei. Isso realmente parece curioso.

P - Parece mesmo. Quem o senhor considera o homem mais notável que conheceu?

R - Aaron Burr.

P - Mas o senhor não pode ter conhecido Aaron Burr, se tem só dezenove anos!

R - Ora, se o senhor sabe mais sobre mim do que eu mesmo, por que me perguntou?

P - Bem, foi apenas uma sugestão, nada mais. Como aconteceu de o senhor conhecer Burr?

R - Bem, eu estava certo dia em seu funeral, por acaso; ele me pediu para falar mais baixo, e...

P - Mas pelos céus! Se o senhor estava no funeral dele, ele devia estar morto, e se estava morto como poderia se importar do senhor estar ou não falando alto?

R - Não sei. Ele era um tipo de homem muito peculiar, com relação a isso.

P - Mesmo assim eu não entendi nada. O senhor me disse que ele falou com o senhor, e que ele estava morto.

R - Eu não disse que ele estava morto.

P - Então ele não estava morto?

R - Bem, alguns diziam que sim, outros que não.

P - E o senhor, o que achava?

R - Bem, aquilo não era da minha conta. Não era nem mesmo o meu funeral.

P - Mas o senhor... Bem de qualquer modo, jamais conseguiremos saber ao certo. Deixe-me perguntar-lhe outra coisa. Qual foi a data do seu nascimento?

R - Segunda feira, 31 de outubro de 1693.

P - Como?! Impossível! Isso faria com que o senhor tivesse cento e oitenta anos. Como explica isso?

R - Eu não explico, em absoluto.

P - Mas o senhor primeiro disse que tinha apenas dezenove anos, e agora se diz com cento e oitenta. Há uma terrível discrepância aqui.

R - Ora, então você percebeu? (cumprimentam-se). Muitas vezes isso também me pareceu uma discrepância, mas jamais consegui me decidir a respeito. Você percebe as coisas muito depressa!

P - Obrigado pelo elogio, no que me diz respeito. O senhor teve ou tem irmãos ou irmãs?

R - Ahn... Eu... Eu... Eu acho que.. sim, mas não me lembro.

P - Ora, mas essa é a afirmação mais extraordinária que eu já ouvi!

R - É mesmo? O que o faz pensar assim?

P - Como poderia pensar de outro modo. Olhe, veja aquilo! Quem é aquela pessoa no quadro da parede? Aquele não é um irmão seu?

R - Ah, sim, sim, sim! Agora você me fez lembrar dele. Aquele era um irmão meu. William. Nós o chamávamos de Bill. Pobre Bill!

P - Como? Ele morreu, então?

R - Ahn... Bem, suponho que sim. Jamais conseguimos ter certeza. Havia um grande mistério a respeito disso.

P - Isso é triste, muito triste. Ele desapareceu, então?

R - Bem... Sim, de certo modo. Nós o enterramos.

P - Vocês o enterraram? Enterraram-no sem saber se ele estava morto ou não?

R - Ah, não, não foi assim. Ele estava morto o suficiente.

P - Pois eu confesso que não consigo entender isso. Se vocês o enterraram, e sabiam que ele estava morto...

R - Não, não! Apenas pensamos que estivesse.

P - Ah, entendo! Ele voltou à vida, então?

R - Aposto que não.

P - Puxa, eu nunca ouvi nada desse tipo. Alguém estava morto. Alguém foi enterrado. Então, onde estava o mistério?

R - Pois está exatamente aí. Exatamente aí. Veja só, nós éramos gêmeos, o falecido e eu; nos embolamos na banheira quando tínhamos dois anos, e um de nós se afogou. Mas não sabíamos qual. Tem gente que acha que foi Bill. Outros acham que fui eu.

[...]

Tradução: Gabriel



"Encontro com um entrevistador", peça curta de Mark Twain

[...]

Q. Quantos anos você tem?

A. Faço dezenove em junho.

Q. É mesmo? Eu lhe daria uns trinta e cinco ou trinta e seis. Onde você nasceu?

A. Em Missouri.

Q. Quando começou a escrever?

A. Em 1836.

Q. Ora, como pode ser isso, se você só tem dezenove anos?

A. Não sei. Parece estranho mesmo.

Q. Sem dúvida parece. Quem você considera o homem mais notável que já conheceu?

A. Aaron Burr.

Q. Mas você não pode ter conhecido Aaron Burr, se tem apenas dezenove anos!

A. Bom, se você sabe mais sobre mim do que eu mesmo, por que está perguntando?

Q. Ah, foi apenas uma idéia, só isso. Como você veio a conhecer Burr?

A. Bom, por acaso eu estava em seu funeral certo dia, e ele me pediu para fazer menos barulho, e--

Q. Mas, pelos céus! Se você estava em seu funeral, ele devia estar morto e, se estava morto, como poderia se incomodar se você estava fazendo barulho ou não?

A. Não sei. Ele sempre foi um homem meio esquisito.

Q. Mesmo assim, eu não estou entendendo nada. Você diz que ele falou com você, e que ele estava morto.

A. Eu não disse que ele estava morto.

Q. Mas ele não estava morto?

A. Bom, alguns diziam que estava, alguns diziam que não.

Q. O que você acha?

A. Ah, isso não era da minha conta! Não era o meu funeral.

Q. Mas você—Bem, não importa, nunca iremos esclarecer essa questão. Vou perguntar sobre outra coisa. Que dia você nasceu?

A. Segunda feira, 31 de outubro de 1693.

Q. O quê? Impossível! Assim você teria cento e oitenta anos de idade. Como explica isso?

A. Eu não explico.

Q. Mas primeiro você disse que tinha apenas dezenove anos e, agora, apresenta-se com cento e oitenta. É uma enorme discrepância.

A. Você reparou nisso? (Apertando-lhe as mãos.) Muitas vezes pareceu-me uma discrepância, mas eu não conseguia ter certeza. Como você nota as coisas depressa!

Q. Agradeço o elogio, se é que foi isso. Você teve, ou tem, irmãos ou irmãs?

A. Ahnn… Eu… eu… acho que sim, é... mas não lembro.

Q. Ora, essa é a declaração mais extraordinária que já ouvi!

A. Mas por que você acha isso?

Q. O que mais eu poderia achar? Olhe aqui! De quem é esta fotografia na parede? Não é de um irmão seu?

A. Ah, sim, sim, sim! Agora eu me lembro; esse era meu irmão. É William—nós o chamávamos de Bill. Pobrezinho do Bill!

Q. Por quê? Quer dizer que ele está morto?

A. Ah! Bom, acho que sim. Nunca soubemos ao certo. Foi um grande mistério.

Q. Isso é triste, muito triste. Então ele desapareceu?

A. Bom, de maneira geral, pode-se dizer que sim. Nós o enterramos.

Q. Enterraram! Enterraram sem saber se ele estava morto ou não?

A. Claro que não! Não foi isso. Ele estava bem morto.

Q. Bom, eu confesso que não entendo. Se vocês o enterraram, e sabiam que ele estava morto--

A. Não! não! Nós só achávamos que ele estava.

Q. Ah, entendo! Ele voltou a viver?

A. Isso eu garanto que não.

Q. Bem, eu nunca ouvi nada parecido com isso. Alguém estava morto. Alguém foi enterrado. Então, qual foi o mistério?

A. Ah! Mas é isso mesmo! Exatamente isso. Veja, nós éramos gêmeos—o defunto... e eu —e fomos misturados na banheira quando tínhamos apenas duas semanas de vida, e um de nós se afogou. Mas não sabíamos qual. Alguns acham que foi o Bill. Outros acham que fui eu.

[...]

Tradução: Luís



[...]

P. Qual é a sua idade?

R. Dezenove, em junho.

P. Interessante. Imaginei que o senhor teria trinta e cinco ou trinta e seis. Onde nasceu?

R. No Missouri.

P. Quando começou a escrever?

R. Em 1836.

P. Mas como isso é possível, se tem só dezenove anos?

R. Não sei. É um fato um tanto quanto curioso.

P. É sim. Quem o senhor considera ser o homem mais marcante que já conheceu?

R. Aaron Burr.

P. Mas, se tem só dezenove anos de idade, não pode ter conhecido Aaron Burr!

R. Ora, se me conhece mais do que eu mesmo, por que pergunta?

P. Foi apenas uma idéia, nada além disso. Como conheceu o Sr. Burr?

R. Bom, certo dia, quando eu estava em seu funeral, ele me pediu para não fazer tanto barulho e...

P. Valha-me Deus! Se estava em seu funeral, ele devia estar morto, e se estava morto por que se importaria se o senhor fazia barulho ou não?

R. Não sei. Nesse aspecto, ele sempre foi um homem bem peculiar.

P. Ainda assim, não compreendo. Disse que ele falou com o senhor e que ele estava morto.

R. Eu não disse que ele estava morto.

P. Ele não estava morto?

R. Bem, alguns diziam que sim, outros diziam que não.

P. E qual a sua opinião?

R. Aquilo não me dizia respeito. Sequer era o meu funeral.

P. Mas o senhor... Enfim, nunca vamos esclarecer isso. Deixe-me perguntar alguma outra coisa. Qual é a data do seu nascimento?

R. Segunda-feira, 31 de outubro de 1693.

P. O quê? Impossível! O senhor teria cento e oitenta anos de idade. Como explica isso?

R. Eu não explico coisa alguma.

P. Mas primeiro disse que tem apenas dezenove anos e agora somaria cento e oitenta. É uma discrepância absurda.

R. Nossa, você notou? (Apertando-lhe a mão.) Mais de uma vez isso me pareceu uma discrepância, mas por algum motivo eu não conseguia me decidir. Como você repara rápido nas coisas!

P. Obrigado pelo elogio, de qualquer forma. O senhor tem ou teve algum irmão ou irmã?

R. Ah! Eu... Eu... Creio que... sim, mas não me lembro.

P. Puxa, essa é a declaração mais extraordinária que já ouvi!

R. Por quê? O que o faz pensar isso?

P. E como pensaria diferente? Veja só aqui! De quem é este retrato na parede? Não é de um irmão seu?

R. Ah, sim, sim! Você me fez lembrar, aquele era meu irmão. Esse é o William... o chamávamos de Bill. Pobre Bill!

P. Por quê? Ele faleceu?

R. Ah! É, suponho que sim. Foi impossível saber ao certo. Aquilo foi um grande mistério.

P. Isso é triste, muito triste. Então ele desapareceu?

R. Bem, sim, assim, de modo geral. Nós o enterramos.

P. O enterraram! Enterraram-no sem saber se ele estava morto ou não?

R. Claro que não! Não é isso. Ele estava bem mortinho.

P. Bom, eu confesso que não entendo nada. Se ele foi enterrado e sabiam que estava morto...

R. Não! Não! Só pensávamos que estivesse.

P. Muito bem, então. Ele voltou à vida?

R. Aposto que não.

P. Nunca ouvi nada parecido. Alguém morreu. Alguém foi enterrado. Pois bem, onde está o mistério?

R. Ah! Aí é que está! Aí está a questão. Veja bem: éramos gêmeos, o defunto e eu. Estávamos juntos na banheira quando tínhamos só duas semanas de vida, e um de nós se afogou. Mas era impossível saber quem. Alguns acham que era Bill. Alguns acham que era eu.

[...]

Tradução: Sofia



[...]

P. Qual a sua idade?

R. Vou fazer dezenove em junho.

P. É mesmo? Eu achava que o senhor tivesse uns trinta e cinco, trinta e seis anos. Onde o senhor nasceu?

R. No Missouri..

P. Quando o senhor começou a escrever?

R. Em 1836.

P. Mas como é possível, se hoje o senhor só tem 19 anos?

R. Sei lá. Parece mesmo meio esquisito.

P. Com certezR. Na sua opinião, quem é o homem mais interessante que o senhor já encontrou?

R. Aaron Burr.

P. Mas o senhor nunca poderia ter se encontrado com Aaron Burr, se só tem 19 anos!

R. Olha aqui, se você sabe mais sobre a minha pessoa do que eu mesmo, por que está me perguntando?

P. Bom, foi só uma idéia, mais nadR. Como foi que o senhor se encontrou com Burr?

R. Bom, acontece que certo dia eu estava no funeral dele, e ele me pediu para fazer menos barulho, daí--

P. Pelo amor de Deus! Se o senhor estava no funeral dele, ele devia estar morto, e se ele estava morto, porque iria se incomodar se o senhor estava fazendo barulho ou não?

R. Ah, não sei. Ele era meio sistemático com essas coisas.

P. Mesmo assim,não estou entendendo nadR. O senhor diz que ele falou com o senhor, e que ele estava morto.

R. Eu não disse que ele estava morto.

P. Mas ele não estava morto?

R. Bom, uns dizem que sim, outros que não.

P. E o senhor, o que acha?

R. Ah, não era da minha conta! Não era o meu funeral mesmo...

P. O senhor-- Esqueça, nunca vamos ficar sabendo mesmo. Vamos mudar de assunto. Qual é a data do seu nascimento?

R. Segunda-feira, 31 de outubro de 1693.

P. O quê!? Impossível! Se fosse assim, o senhor teria 180 anos. Como o senhor explica isso?

R. Eu não sei explicar.

P. Mas primeiro o senhor falou que só tinha dezenove anos, e agora alega que tem 180! É uma tremenda discrepância!

R. Nossa, você percebeu? (Apertando a mão do outro). Várias vezes percebi que havia uma discrepância, mas por alguma razão não consegui me decidir entre uma coisa e outrR. Como você entende rápido!

P. Obrigado pelo elogio, se é que foi essa a intenção. O senhor tem, ou já teve, irmãos ou irmãs?

R. Err.. Eu--Eu--Eu diria que sim - sim - mas não me lembro.

P. Bom, essa é a frase mais extraordinária que eu já ouvi na vida!

R. Ué, por que você diz isso?

P. Como eu poderia não dizer? Olhe aqui: quem é que aparece nesse quadro aqui na parede? Não é um dos seus irmãos?

R. Ah sim, sim, sim! Agora você me lembrou do caso; esse era um dos meus irmãos. Esse é o William - nós o chamávamos de Bill. Coitado do Bill!

P. Por quê? Ele morreu, então?

R. Bom, acho que sim. Nunca soubemos. Há um grande mistério em torno disso.

P. Isso é triste, muito triste. Então ele desapareceu?

R. Bom, sim, pode-se dizer, de certa maneirR. Nós o enterramos.

P. Enterraram? Enterraram-no sem saber se estava morto ou não?

R. Ah, não! Não é isso. Ele estava mortinho da silvR.

P. Bom, devo confessar que não estou entendendo nadR. Se vocês o enterraram, e o senhor sabia que ele estava morto--

R. Não, não! Nós pensávamos que ele estivesse.

P. Entendo! Ele ressuscitou?

R. Claro que não!

P. Bom,nunca ouvi nada parecido. Alguém estava morto. Alguém foi enterrado. Então, qual é o mistério?

R. Ah! Mas é bem esse! Exatamente esse. Veja bem, nós éramos gêmeos - o defunto e eu - e fomos confundidos na hora do banho quando tínhamos apenas duas semanas de idade; um de nós dois morreu afogado. Uns acham que foi o Bil, outros acham que fui eu.

[...]

Tradução: Alexandre



[...]

Q: Quantos anos você tem?

A: Em junho completarei dezenove.

Q: Certamente, eu diria que você tem 35 ou 36 anos. Onde você nasceu?

A: No estado de Missouri.

Q: Quando você começou a escrever?

A: Em 1836.

Q: Como isso é possível se você tem apenas 19 anos?

A: Não sei, mas de alguma maneira parece ser estranho.

Q: Certamente, parece. Quem você considera o homem mais extraordinário, que já conheceu?

A: Aaron Burr.

Q: Mas você jamais poderia ter se encontrado com Aaron Burr, já que você tem apenas 19 anos de idade!

A: Se você sabe mais sobre mim, do que eu mesmo, por que perguntar, então?

Q: Bem, foi apenas uma insinuação, só isso. Como foi que você conheceu o Burr?

A: Acontece que um dia estive no funeral dele, e ele me pediu para fazer menos barulho, então....

Q: Por Deus, se você esteve no funeral, ele devia estar morto e se não estava morto, como é que ele poderia se preocupar com o barulho?

A: Não sei. Ele sempre foi daquela maneira, um homem muito especial.

Q: Ainda não consegui entender nada. Você disse que ele conversou com você e ele estava morto.

A: Eu não disse que ele estava morto.

Q: Então ele não estava morto?

A: Bem, alguns disseram que sim e alguns disseram que não.

Q: O que você achou?

A: Ah, não era da minha conta! Não era o meu funeral.

Q: Você....de qualquer modo nunca conseguiremos esclarecer este assunto. Deixe-me perguntar uma outra coisa. Quando você nasceu?

A: 31 de outubro de 1693, uma segunda-feira.

Q: O quê? Impossível! Então você estaria com 180 anos. Como conseguiu chegar neste resultado?

A: Não faço estas contas, de maneira alguma.

Q: Primeiro você disse que tinha apenas 19 anos e agora você dá a entender que tem 180 anos. É uma diferença terrível.

A: Por quê? Você percebeu aquilo? (Apertando as mãos em cumprimento) Muitas vezes pensei que havia diferença, mas de alguma forma, não conseguia compreender a diferença. Como você nota as coisas rapidamente!

Q: Do jeito que andam as coisas, agradeço o elogio. Você tem alguns irmãos ou irmãs?

A: Hmm, e...e...eu acredito que im...sim...mas não lembro.

Q: Bem, esta é a declaração mais estranha que eu já obtive.

A: Por quê? O que o faria pensar assim?

Q: Como eu não poderia! Por quê? Olhe aqui! De quem é este quadro na parede? Não é um de seus irmãos?

A: Ah, sim, sim, sim! Agora você me lembrou; este era um de meus irmãos. Este é o William. Nós o chamávamos de Bill. Pobre velho Bill.

Q: Por quê? Então, ele está morto?

A: Ãhn, bem, acredito que sim. Nunca descobrimos. Havia uma grande mistério em relação ao fato.

Q: Isto é muito, muito triste. Então, ele desapareceu?

A: Bem, de certo modo, sim. Nós o enterramos.

Q: O enterraram! O enterraram sem sequer saber se ele estava morto, ou não?

A: Ah, não! Ele já estava suficientemente morto.

Q: Bem, confesso que não consigo compreender. Se você o enterrou e sabia que estava morto...

A: Não, não! Apenas pensávamos que estava morto.

Q: Ah, entendo. Então ele voltou à vida?

A: Aposto que não.

Q: Bem, nunca ouvi nada parecido! Alguém morreu. Este alguém foi enterrado. E onde está o mistério?

A: Então! É isso aí, exatamente. Entenda que nós fomos gêmeos...extintos...e eu...e nós fomos misturados na banheira, quando tínhamos apenas duas semanas de vida. Um de nós se afogou, mas não sabíamos qual. Alguns pensam que foi o Bill, outros pensam que fui eu.

[...]

Tradução: Amanda



[...]

Encontro com um entrevistador.

Trecho da peça de Mark Twain

[...]

P. Quantos anos você tem?

R. Dezenove, em junho.

P. De fato. Eu lhe daria trinta e cinco ou seis. Onde você nasceu?

R. No Missouri.

P. Quando começou a escrever?

R. Em 1836.

P. Ora, como isso é possível se você só tem dezenove anos?

R. Não sei. É mesmo curioso, de certo modo.

P. É, de fato. Quem você considera o homem mais notável que já conheceu?

R. Aaron Burr.

P. Mas você não poderia ter conhecido Aaron Burr tendo apenas dezenove anos!

R. Ora, se você sabe mais sobre mim do que eu mesmo, para que me pergunta?

P. Bom, foi só uma sugestão. Nada mais. Como se deu seu encontro com Burr?

R. Bom, acontece que eu estava em seu funeral um dia e ele me pediu para não fazer tanto barulho e...

P. Mas, meu Deus! Se você estava em seu funeral ele deveria estar morto e, estando morto, como poderia ele se importar se você fazia barulho ou não?

R. Eu não sei. Ele sempre foi um tipo peculiar nesse quesito.

P. Mesmo assim, não entendo em absoluto. Você diz que ele lhe falou e que ele estava morto.

R. Eu não disse que ele estava morto.

P. Mas, não estava?

R. Bom, alguns diziam que estava, outros diziam que não.

P. O que você achava?

R. Ah, não era da minha conta! Não era nem meu funeral.

P. Você fez... Todavia, não vamos nunca pôr esse assunto a limpo. Deixe-me lhe perguntar outra coisa. Qual a data de seu nascimento?

R. Segunda-feira, 31 de outubro de 1693.

P. Como?! Impossível! Se assim fosse você teria cento e oitenta anos. Como você dá conta disso?

R. Não dou conta em absoluto.

P. Mas você disse inicialmente que tinha apenas dezenove, e agora se apresenta com cento e oitenta. É uma desagradável incoerência.

R. Ora veja, você notou? (Apertando as mãos). Por muitas vezes me pareceu ser uma incoerência, mas de certa forma eu não conseguia me decidir. Como você é rápido em perceber as coisas!

P. Obrigado, vou tomar isso como um elogio. Você teve ou tem irmãos ou irmãs?

R. Ah! Eu… eu… eu acho… sim... mas eu não me lembro.

P. Bem, essa é a afirmação mais extraordinária que eu já ouvi!

R. Ora, o que lhe faz pensar assim?

P. O que mais eu poderia pensar? Olhe, veja isso! De quem é essa fotografia na parede? Não é de um irmão seu?

R. Ah, sim, sim, sim! Agora você me lembrou; esse era um irmão meu. Esse é o William... Bill, nós o chamávamos. Pobre Bill!

P. Por que? Então ele está morto?

R. Ah! Bem, suponho que sim. Nunca conseguimos saber. Havia um grande mistério acerca desse assunto.

P. Isso é triste, muito triste. Então ele desapareceu?

R. Bom, sim, de um modo geral. Nós o enterramos.

P. Enterraram-no! Enterraram-no sem saber se estava morto ou não?

R. Ah não! Isso não. Ele estava bem morto.

P. Bom, confesso que não entendo. Se o enterraram e sabiam que estava morto

R. Não! Não! Apenas achávamos que estava.

P. Ah, entendo! Ele voltou à vida?

R. Aposto que não.

P. Bom, eu nunca ouvi nada parecido. Alguém estava morto. Alguém foi enterrado. Agora, cadê o mistério?

R. Ah! Mas é isso mesmo! É exatamente isso! Veja, nós éramos gêmeos... o defunto... e eu... e nós fomos confundidos na banheira quando tínhamos apenas duas semanas de vida, e um de nós se afogou. Mas não sabíamos qual. Alguns acham que foi o Bill. Alguns acham que fui eu.

[...]

Tradução: Felipe



[...]

Q. Quantos anos você tem?

A. Dezenove em Junho.

Q. Realmente. Eu teria dado a você uns trinta e cinco ou seis. Onde você nasceu?

A. Em Missouri.

Q. Quando você começou a escrever?

A. Em 1836.

Q. Por que, como poderia ser isso, se você só tem dezenove agora?

A. Eu não sei. Isso realmente parece curioso, de certo modo.

Q. Parece, realmente. Quem você considera que seja o homem mais extraordinário que você já encontrou?

A. Aaron Burr.

Q. Mas você nunca poderia ter encontrado com Aaron Burr, se você tem apenas dezenove anos!

A. Agora, se você sabe mais a meu respeito do que eu mesmo, o que você me pergunta?

Q. Bem, foi apenas uma sugestão; nada mais. Como foi que você encontrou Burr?

A. Bem, eu estive no seu funeral um dia, e ele me pediu para fazer menos barulho, e...

Q. Mas, santo Deus! Se você estava no funeral dele, ele devia estar morto, e se ele estava morto como poderia se importar se você fazia barulho ou não?

A. Eu não sei. Ele sempre foi uma espécie de homem que tinha um modo peculiar de ser.

Q. Mas, eu não entendo absolutamente.Você diz que ele falou com você, e que ele estava morto.

A. Eu não disse que ele estava morto.

Q. Mas ele não estava morto?

A. Bem, alguns diziam que ele estava, alguns diziam que não.

Q. O que você achava?

A. Oh, não era problema meu! Não era meu funeral.

Q. Você…De qualquer forma, nós nunca vamos podemos chegar a uma conclusão exata sobre isso. Deixe-me perguntar sobre algo mais. Qual foi a data do seu nascimento?

A. Segunda, 31 de Outubro de 1693.

Q. O que? Impossível! Isso lhe faria ter cento e oitenta anos de idade. Como você explica isso?

A. Eu não tenho explicação alguma para isso.

Q. Mas você disse primeiro que você tinha somente dezenove anos, e agora se auto descreve como uma pessoa de cento e oitenta anos. É uma terrível discrepância.

A. Por que, você percebeu isso? (Chacoalhando as mãos). Várias vezes pareceu para mim como uma discrepância, mas de qualquer maneira eu não pude me decidir a respeito. Como você percebeu rápido!

Q. Obrigada pelo cumprimento, até onde isso for um cumprimento. Você teve, ou tem algum irmão ou irmã?

A. Eh! Eu..eu..eu acho que sim..sim..mas eu não lembro.

Q. Bem, este é o mais extraordinário relato que eu já tinha escutado!

A. Por que, o que faz você pensar assim?

Q. Como eu poderia pensar de outra maneira? Porque, olhe aqui! De quem é o quadro na parede? Aquele ali não é o seu irmão?

A. Oh, sim, sim, sim! Agora você me está me fazendo lembrar; aquele era meu irmão. Aquele é William..Bill nós o chamávamos. Pobre, velho Bill!

Q. Por que? Ele está morto, então?

A. Ah! Bem, Eu acho que sim. Nós nunca poderíamos dizer. Houve um grande mistério sobre isso.

Q. Isso é triste, muito triste. Ele desapareceu, então?

A. Bem, sim, de uma maneira geral. Nós o enterramos.

Q. Enterraram ele! Enterraram ele, sem saber se ele estava morto ou não?

A. Oh, não! Não dessa forma. Ele estava morto o suficiente.

Q. Bem, eu confesso que eu não posso compreender isso. Se vocês o enterraram, e vocês achavam que ele estava morto.

A. Oh, não! Nós somente pensávamos que ele estava.

Q. Oh, eu entendo! Ele voltou a viver novamente?

A. Eu aposto que não..

Q. Bem, eu nunca ouvi nada como isso. Alguém estava morto. Alguém foi enterrado. Agora, onde estava o mistério?

A. Ah! Aí está! É exatamente isso aí. Você vê, nós éramos gêmeos...defunto...e eu....e nós fomos misturados na banheira quando nós tínhamos somente duas semanas de idade, e um de nós se afogou. Mas nós não sabemos qual dos dois. Alguns pensam que foi o Bill. Alguns pensam que fui eu.

[...]

Tradução: Eduardo



[...]

Q. Quantos anos você tem?

A. Faço 19 anos em Junho.

Q. Sério! Eu te dava uns 35 ou 36 anos. Onde você nasceu?

A.Em Missouri.

Q.Quando você começou a escrever?

A.Em 1836.

Q.Mas como isso pode ser possivel se você só tem dezenove anos?

A. Não sei. De alguma maneira isso parece estranho.

Q. Com certeza é. Quem você considera o homem mais incrível que você já conheceu?

A. Aaron Burr.

Q. Mas você nunca poderia ter conhecido Aaron But, se você tem somente dezenove anos!

A. Oras, se você sabe mais sobre mim do que eu mesmo, o que mais você quer saber?

Q. Bem, foi apenas uma sugestão, nada de mais. Como foi que você conheceu Burr?

A. Eu estava em seu funeral e ele me pediu para fazer menos barulho, e -

Q. Mas, pelo amor de Deus! Se você estava no funeral dele, ele certamente deveria estar morto, e se ele estava morto, como pode ele ter se importado com o barulho?

A. Sei lá. Ele sempre foi um tipo fora do comum.

Q.Ainda assim, eu não estou entendendo nada. Você disse que falou com ele, e que ele estava morto.

A. Eu não disse que ele estava morto.

Q. Mas então ele não estava morto?

A. Alguns disseram que ele estava, já outros que não.

Q. E o que você achou?

Oras, que não era da minha conta. Aquele não era o meu funeral.

Q. Você...tanto faz, de qualquer forma nós nunca iremos entender isso direito. Deixe eu te perguntar sobre outras coisas. Qual é a data de seu nascimento?

A. Domingo, dia 31 de outubro de 1963.

Q. Como assim! Impossível! Nesse caso você teria cento e oitenta anos de idade. Como você explica isso?

A. Eu não explico nada.

Q. Mas logo no começo você disse que tinha somente dezenove anos e agora você deu a entender que tem cento e oitenta. Isso está totalmente fora de lógica.

A. Porque você reparou nisso? (com as mãos tremulas). Muitas vezes isso me pareceu muito estranho, mas de alguma maneira eu não poderia inventar isso. Como você percebe rapidamente as coisas!

Q. De qualquer forma, agradeço o elogio. Você tinha, ou tem irmãos ou irmãs?

A. Ah! Eu… eu…eu acho que sim, mas não me lembro.

Q. Nossa, ísso é coisa mais extraordinária que eu já ouvi!

A. Porque você acha isso?

Q. Como eu poderia pensar de outra maneira? Ei, olhe aqui! Quem é essa no quadro que está na parede? Não é o seu irmão?

A. Oh, sim, sim, sim! Agora você me lembrou; aquele é meu irmão. É o William – Nós o chamavamos de Bill. Coitado do velho Bill!!

Q. Por que? Então ele está morto?

A. Ah! Bem, eu suponho que sim. Nós nunca poderiamos dizer. Há um grande mistério sobre isso.

Q. Que triste, muito triste. Então ele desapareceu?

A. Bem, sim, de certa forma. Nós o enterramos.

Q. Enterraram ele! Enterraram ele sem saber, se quer, se ele estava morto ou vivo?

A. Não! Assim não. Ele estava bastante morto.

Q. Bem, eu confesso que não estou entendendo isso. Se vocês enterraram ele e vocês sabiam que ele estava morto...

A. Não! Não! Nós apenas achavamos que ele estava.

Q. Ah, entendo! Ele então voltou a viver?

A. Aposto que não.

Q. Eu nunca ouvi nada parecido com isso. Alguém estava morto. Alguém foi enterrado. Onde está o mistério agora?

Ah! Então é isso. Exatamente isso. Veja, nós eramos gêmeos – mortos – e eu ... e nós fomos misturados na banheira quando tinhamos somente duas semanas de vida, e um de nós foi afogado, mas nós não sabemos quem. Alguns acham que foi Bill enquanto outros acham que foi eu.

[...]

Tradução: Laura



An Encounter With An Interviewer

A play by Mark Twain

[...]

Q. Qual a sua idade?

A. Farei dezenove em junho.

Q. Certo. Eu diria que o senhor teria trinta e cinco, ou trinta e seis. Onde o senhor nasceu?

A. No Missouri.

Q. Quando começou a escrever?

A. Em 1836.

Q. Nossa, como isso é possível, se o senhor tem apenas dezenove anos agora?

A. Eu não sei. É algo muito curioso mesmo.

Q. É mesmo, sem dúvida. Quem o senhor diria que foi o homem mais notável que já conheceu?

A. Aaron Burr.

Q. Mas não poderia ter conhecido Aaron Burr, se tem apenas dezenove anos!

A. Bem, se sabe mais do que eu, por que me pergunta?

Q. Bem, foi apenas uma sugestão, nada mais. Como conheceu Burr?

A. Fui ao funeral dele um dia, e ele me pediu que fizesse menos barulho, e...

Q. Mas, por Deus! Se o senhor esteve no funeral dele, ele devia estar morto, e se estava morto, por que haveria de se importar se o senhor fazia barulho ou não?

A. Eu não sei. Ele sempre foi um homem bastante peculiar nesse aspecto.

Q. Ainda assim, não entendi nada. O senhor disse que ele falou consigo, e que ele estava morto.

A. Não disse que ele estava morto.

Q. Mas ele não estava morto?

A. Bem, alguns diziam que estava, outros diziam que não.

Q. O que o senhor achava?

A. Ah, não era da minha conta! Aquele não era o meu funeral.

Q. O senhor... Bem, está claro que não vamos chegar a lugar nenhum. Vou mudar de assunto. Qual a data de seu nascimento?

A. Segunda-feira, 31 de outubro de 1693.

Q. O quê! Impossível! O senhor teria cento e oitenta anos de idade. Como o senhor explica isso?

A. Eu não explico nada.

;Q. Mas o senhor disse que tinha apenas dezenove anos, e agora o senhor me diz que teria cento e oitenta anos. É uma discrepância terrível.

A. Ora, você percebeu isso? (Apertando as mãos.) Muitas vezes isso me pareceu uma discrepância, mas eu não conseguia me decidir. Que rapidez a sua!

Q. Obrigado pelo elogio, seja lá como for. O senhor tem, ou teve, irmãos ou irmãs?

A. Ah! Eu... eu... eu acho que sim... sim... mas não me lembro.

Q. Bem, essa é a resposta mais extraordinária que já ouvi!

A. Por que acha isso?

Q. Como não poderia achar? Oras, olhe aqui! De quem é este quadro na parede? Não é um de seus irmãos?

A. Ah, sim, sim, sim! Agora que você me recorda; ele era meu irmão. É o William... nós o chamávamos de Bill. Pobrezinho do Bill!

Q. Por que? Ele morreu?

A. Ah! Bem, acho que sim. Nunca se soube. Foi um grande mistério.

Q. Isso é triste, muito triste. Ele desapareceu, então?

A. Bem, sim, falando de uma forma geral. Nós o enterramos.

Q. Enterraram-no! Enterraram-no, sem saber se ele estava morto ou não?

A. Ah, não! Nada disso. Ele estava bem morto.

Q. Bem, eu confesso que não consigo entender. Se o senhor o enterrou, e sabia que ele estava morto...

A. Não! não! Nós só pensávamos que ele estava.

Q. Ah, entendo! Ele voltou à vida, então?

A. Aposto que não.

Q. Bem, nunca ouvi nada igual a isso. Alguém está morto. Alguém foi enterrado. Agora, onde está o mistério?

A. Ah! É isso mesmo! É isso mesmo. Sabe, nós éramos gêmeos... o defunto... e eu... e nós fomos misturados na banheira quando tínhamos apenas duas semanas, e um de nós se afogou. Mas não sabíamos qual dos dois. Alguns acham que foi o Bill. Outros pensam que fui eu.

[...]

Tradução: Lucas